<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:dcterms="http://purl.org/dc/terms/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"  xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" version="2.0">
  <channel>
    <title><![CDATA[elDiario.es - Miguel Gonçalves Mendes]]></title>
    <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/autores/miguel_goncalves_mendes/]]></link>
    <description><![CDATA[elDiario.es - Miguel Gonçalves Mendes]]></description>
    <language><![CDATA[es]]></language>
    <copyright><![CDATA[Copyright El Diario]]></copyright>
    <ttl>10</ttl>
    <atom:link href="https://www.eldiario.es/rss/category/author/517764/" rel="self" type="application/rss+xml"/>
    <item>
      <title><![CDATA[Portugal, o país do(s) improvável(eis)]]></title>
      <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/portugal-pais-improvaveleis_1_1180107.html]]></link>
      <description><![CDATA[<p><img src="https://static.eldiario.es/clip/b8e9c148-f4b9-48bb-9f4d-ed92813420b1_16-9-discover-aspect-ratio_default_0.jpg" width="1200" height="675" alt="Portugal, o país do(s) improvável(eis)"></p><div class="subtitles"><p class="subtitle">Se existe um denominador comum em quase toda a produção artística em Portugal é o desespero</p><p class="subtitle">Portugal tem dado cartas a nível internacional graças a uma panóplia de artistas que, com uma visão diferente e inovadora, criaram obras incontornáveis e revolucionárias para a cultura do país</p></div><div class="list">
                    <ul>
                                    <li>Este artigo pertence &agrave; revista Portugal: a magia do improv&aacute;vel, de eldiario.es. <a href="https://www.eldiario.es/internacional/Portugal-pais-improbables_0_975353311.html" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Leia a vers&atilde;o em Castelhano aqui.</a> <a href="https://usuarios.eldiario.es/?&amp;_ga=2.46026212.1544745617.1576688436-435767251.1564996877#!/hazte_socio" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Torne-se um membro agora e receba nossas revistas trimestrais em casa</a></li>
                            </ul>
            </div><p class="article-text">
        Portugal &eacute; a terra onde acontece tudo o que n&atilde;o se esperava que acontecesse. O que esperar de um Estado Na&ccedil;&atilde;o j&aacute; com quase mil anos de hist&oacute;ria que, para se tornar independente, v&ecirc; um filho declarar guerra &agrave; m&atilde;e? Ou que o seu dia nacional &eacute; o dia de um poeta? Ou que possui em Bel&eacute;m a torre militar mais gay da Europa?
    </p><p class="article-text">
        Por aqui, tudo &eacute; imposs&iacute;vel e poss&iacute;vel. Falo de um povo que em 1500, com apenas um milh&atilde;o de habitantes e sem ex&eacute;rcito, chega a todo o mundo, levando consigo o pior e o melhor da Europa. Ao desembarcar na &Iacute;ndia, como diria Eduardo Louren&ccedil;o, Portugal n&atilde;o se colocou apenas no centro do mundo. Colocou a Europa no mapa do mundo, at&eacute; ent&atilde;o totalmente desconhecida na &Aacute;sia e nas Am&eacute;ricas.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        Fomos um povo que baptizou de Cora&ccedil;&atilde;o e Barbados duas ilhas por pura evoca&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica. Que introduziu o coco e a manga no Brasil, a malagueta na &Iacute;ndia que deu origem ao caril, hoje o seu prato nacional, o&nbsp; h&aacute;bito do ch&aacute; na corte inglesa, a tempura e mais de 60 palavras utilizadas no quotidiano do Jap&atilde;o, o alfabeto latino no Vietname, a palavra mandarin em Espanha (aquele que manda) ou o ukelele no Havai, criando novas paisagens culturais que se acredita sempre terem estado l&aacute;. Mas &eacute; bom relembrar o improv&aacute;vel de tudo isto: como &eacute; que, numa nesga de terra, com uma horda de analfabetos&nbsp; e um gigante como vizinho, surge nela um Cam&otilde;es, um Gil Vicente ou um Fern&atilde;o Mendes Pinto - aquele que sim, deveria ser o verdadeiro &iacute;cone da na&ccedil;&atilde;o, o retrato fiel de morto de fome, cuja Peregrina&ccedil;&atilde;o, muito superior &agrave; escrita de Marco Polo, &eacute; apenas o reflexo de um desesperado &agrave; procura de coisa melhor.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        E aqui entramos nos anais dos desesperados. E se existe um denominador comum em quase toda a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica em Portugal &eacute; o desespero: Fern&atilde;o de Magalh&atilde;es, que rejeitado pela sua corte, vende a Espanha a ideia da circum-navega&ccedil;&atilde;o, sendo amea&ccedil;ado de morte e desterro por isso; Cam&otilde;es, que quase morre para salvar a sua obra como contou Saramago; Fernando Pessoa apenas descoberto e enaltecido quase 20 anos depois da sua morte e Agostinho da Silva ou Jorge de Sena, cuja &uacute;nica forma de sobreviverem foi emigrar para o Brasil.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        Ent&atilde;o, quando me pedem para escrever sobre a cultura em Portugal &eacute; sempre disto que me recordo: a linhagem de maltrapilhos e mal-amados que somos. Ainda hoje, se quiserem encontrar um &iacute;cone actual de cultura portuguesa &eacute; poss&iacute;vel que o vejam atr&aacute;s do balc&atilde;o de um bar ou a trabalhar num hostel para suportar a sua cria&ccedil;&atilde;o artista e, no final, ainda ser acusado de viver &agrave;s custas do estado.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        Como um dos nossos maiores artistas pl&aacute;sticos e designer gr&aacute;fico, Fernando Lemos, diria: &ldquo;em Portugal nunca se nasce nem se existe antes dos 100 anos. Aqui s&oacute; se respeita e comemora o centen&aacute;rio. At&eacute; l&aacute;, n&atilde;o existimos&rdquo;.&nbsp; E talvez por isso, Almada Negreiros tenha escrito que Portugal &eacute; &ldquo;a p&aacute;tria onde Cam&otilde;es morreu de fome e onde todos enchem a barriga para falar de Cam&otilde;es&raquo;. Mas, no pa&iacute;s dos improv&aacute;veis, &eacute; poss&iacute;vel um homem de origem humilde e com pouco mais que o ensino prim&aacute;rio, que come&ccedil;ou a escrever romances aos 60 anos, ganhar o Nobel aos 76, como o nosso grande Saramago. No pa&iacute;s dos improv&aacute;veis, um mi&uacute;do de 21 anos como o Vhils, que cresce num qualquer bairro oper&aacute;rio do outro lado do rio, sendo apenas reconhecido em Portugal ap&oacute;s ganhar fama &agrave; escala planet&aacute;ria. Porque, por aqui, em Portugal, apenas existimos quando nos validam l&aacute; fora. At&eacute; l&aacute;, somos invis&iacute;veis. E o que dizer de Carlos Paredes, o funcion&aacute;rio administrativo de um Hospital que falava atrav&eacute;s da guitarra? Ou de Am&aacute;lia, que nasce na mis&eacute;ria, entre putas e b&ecirc;bados, e se torna diva da na&ccedil;&atilde;o? Ou de Carmen Miranda que s&oacute; depois de emigrar se torna estrela e s&iacute;mbolo do Brasil al&eacute;m-fronteiras?&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        Portugal tem dado cartas a n&iacute;vel internacional gra&ccedil;as a uma pan&oacute;plia de artistas que, com uma vis&atilde;o diferente e inovadora, criaram obras incontorn&aacute;veis e revolucion&aacute;rias para a cultura do pa&iacute;s e dos pa&iacute;ses onde hoje habitam, nos mais variados quadrantes.&nbsp;Paula Rego, provavelmente, uma das nossas maiores artistas vivas, tem uma obra vasta, universalmente elogiada, sendo alvo de diversas retrospetivas e exposi&ccedil;&otilde;es. A sua import&acirc;ncia &eacute; tal que foi reconhecida pelo ex-presidente da rep&uacute;blica Jorge Sampaio, que convidou a artista a pintar o provocador &ldquo;Ciclo da Vida da Virgem Maria e da Paix&atilde;o de&nbsp;Cristo&rdquo; para a capela presidencial do Pal&aacute;cio de Bel&eacute;m. A m&uacute;sica portuguesa est&aacute; a viver os seus anos mais prol&iacute;feros e vers&aacute;teis, contando com criadores que, em diferentes estilos e g&eacute;neros, t&ecirc;m trazido a aten&ccedil;&atilde;o dos portugueses de volta para a sua l&iacute;ngua, e de admiradores por todo o mundo, que esgotam espect&aacute;culos de m&uacute;sicos como Salvador Sobral, Noiserv ou dos Buraka Som Sistema (projecto singular que mostra como a fus&atilde;o de culturas de pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa pode criar algo completamente novo). Na literatura, Valter Hugo M&atilde;e destaca-se como um dos maiores escritores da sua gera&ccedil;&atilde;o, tendo j&aacute; suscitado a aclama&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico e da cr&iacute;tica com romances impressionantes e inovadores como &ldquo;O Apocalipse dos Trabalhadores&rdquo; ou &ldquo;A M&aacute;quina de Fazer Espanh&oacute;is&rdquo;.&nbsp;No cinema,&nbsp;Miguel&nbsp;Gomes com a sua obra prima &ldquo;Tabu&rdquo; &eacute; o maior da sua gera&ccedil;&atilde;o, no humor, Bruno Aleixo, na ci&ecirc;ncia, Ant&oacute;nio Dam&aacute;sio e as suas investiga&ccedil;&otilde;es sobre o funcionamento do c&eacute;rebro que s&atilde;o estudadas e seguidas a n&iacute;vel mundial, e na f&iacute;sica, Jo&atilde;o Magueijo prop&ocirc;s uma nova e pol&eacute;mica teoria sobre a velocidade da luz, no livro &ldquo;Mais R&aacute;pido que a Luz&rdquo;, que tem sido discutida em toda a comunidade cient&iacute;fica.&nbsp;E por fim, mas n&atilde;o menos importante: Joana Vasconcelos, provavelmente uma das artistas portuguesas mais &ldquo;exportadas&rdquo;, cuja obra apesar de n&atilde;o ser consensual, foi exposta no Pal&aacute;cio de Versalhes e no Guggenheim apenas pelo seu pr&oacute;prio m&eacute;rito. Para um pa&iacute;s t&atilde;o pequeno e aparentemente t&atilde;o insignificante, esta resumida amostra de exemplos deixa claro como os portugueses s&atilde;o superlativamente maiores que a sua dimens&atilde;o geogr&aacute;fica.
    </p><p class="article-text">
        Quando eu era crian&ccedil;a, gostava de imaginar que Portugal era o pa&iacute;s que tinha mais mentes brilhantes por metro quadrado. E ainda hoje quero acreditar nisso, ao ver um golo do Ronaldo ou um discurso de Ant&oacute;nio Guterres ao presidir &agrave; ONU.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        Mas o problema &eacute;: em Portugal tudo &eacute; acaso, tudo &eacute; acidente, n&atilde;o existe nem nunca existiu qualquer pol&iacute;tica de Estado para a cultura. Tudo &eacute; uma soma de improv&aacute;veis. Somos feitos de sucessos exclusivamente individuais, que n&atilde;o significam nada, pois a cada sucesso, por aqui, recome&ccedil;amos sempre do zero.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        E talvez seja isso que nos torne improv&aacute;veis: a nossa resili&ecirc;ncia. Somos um povo quase a completar um mil&eacute;nio de exist&ecirc;ncia, uma esp&eacute;cie de musgo que teima em persistir. O povo-barata que sobrevive a tudo, inclusive &agrave; indiferen&ccedil;a e maus-tratos dos seus.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        Ent&atilde;o, quando retratam Portugal como o pa&iacute;s da melancolia, eu lamento discordar. Acho que somos apenas indiferentes &agrave;s agruras da hist&oacute;ria: l&iacute;deres que abandonam v&aacute;rias vezes o seu povo, terramotos que destru&iacute;ram v&aacute;rias vezes o pa&iacute;s, uma guerra colonial rid&iacute;cula e fora de tempo que durou uns desesperantes 13 anos. Uma indiferen&ccedil;a que nos torna os reis do sarcasmo e da reclama&ccedil;&atilde;o.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        A verdade &eacute; que os 50 anos de ditadura nos tornaram ap&aacute;ticos. Porque &eacute; mais f&aacute;cil ser v&iacute;tima do que agir. &Eacute; mais f&aacute;cil sermos coitados e culpar os outros. Somos &ldquo;o povo menino, o povo crian&ccedil;a&rdquo;, de Cesariny, que acredita estar nos astros a sua salva&ccedil;&atilde;o. A nossa eterna cren&ccedil;a no Esp&iacute;rito Santo e na abstra&ccedil;&atilde;o. E ent&atilde;o, basta ver imagens dos anos 40 para percebermos o povo rural que &eacute;ramos e que ainda somos. Enquanto em Nova Iorque os zepelins sobrevoavam arranha-c&eacute;us, em Portugal as mulheres do povo andavam descal&ccedil;as.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        Mas chega finalmente a revolu&ccedil;&atilde;o que destituiu um regime a cair de podre, a revolu&ccedil;&atilde;o mais bonita de que h&aacute; mem&oacute;ria. Com um ex&eacute;rcito libertador a respeitar sinais de tr&acirc;nsito antes de intentar a revolu&ccedil;&atilde;o, e que colocou cravos vermelhos nas bocas das espingardas. A revolu&ccedil;&atilde;o dos cravos. Bonito, n&atilde;o?&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        Mas de pouco ou nada serviu aos invis&iacute;veis, porque o 25 de Abril nunca chegou &agrave; cultura.
    </p><p class="article-text">
        Infelizmente, a elite portuguesa sempre foi med&iacute;ocre e ainda o &eacute;. Uma elite que acha que a cultura se resume a saber falar franc&ecirc;s, tocar piano e talvez ter umas antiguidades l&aacute; por casa. Que nunca se preocupou com o bem-comum, mas sim com o poder pelo status do poder e n&atilde;o para o exercer em prol de um qualquer des&iacute;gnio.&nbsp;A pol&iacute;tica cultural do estado portugu&ecirc;s est&aacute; lindamente ilustrada pela sede do seu Minist&eacute;rio da Cultura - antigo pal&aacute;cio real nunca terminado e que h&aacute; mais de 200 anos ostenta uma falsa parede, uma falsa fachada que remata o conjunto arquitect&oacute;nico. No fundo, em termos pol&iacute;ticos, tudo por aqui &eacute; fachada. E se ao longo da hist&oacute;ria, na maioria dos pa&iacute;ses, a arte &eacute; e sempre foi um exerc&iacute;cio de burgueses, aqui pelo contr&aacute;rio, sempre foi o exerc&iacute;cio de maltrapilhos, que tal como eu, com 40 anos e a ganhar mil euros por m&ecirc;s, ingenuamente acreditam que podem fazer alguma coisa pelo seu pa&iacute;s.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        Mas talvez seja esta pl&aacute;cida inoc&ecirc;ncia, este mar gigante, que nos faz a todos sonhar, que torne Portugal e em especial Lisboa um doce e viciante purgat&oacute;rio que n&atilde;o conseguimos abandonar.&nbsp; O que me leva a pensar que seja a nossa indiferen&ccedil;a, a nossa displic&ecirc;ncia cong&ecirc;nita ou a nossa gen&eacute;tica naif que tenha feito os Malkovich, as Madonna&rsquo;s, os Michael Fassbender, as Monicas Belluci da vida terem escolhido este lugar pra habitar. Porque aqui, por mais acompanhados que estejamos, estaremos sempre s&oacute;s.
    </p><p class="article-text">
        Estamos pr&oacute;ximos do 10 de Junho, dia Nacional e de Cam&otilde;es, e sempre que vejo agentes culturais a receber comendas, fico a sonhar com o dia em que algu&eacute;m diga: Senhor presidente, Senhor primeiro ministro, tenho a maior estima pessoal por v&oacute;s mas, em honra de todos aqueles que me precederam, quero que o Estado Portugu&ecirc;s meta a comenda no cu!
    </p><p class="article-text">
        Hoje somos apenas 10 milh&otilde;es. Alguns estudos sobre natalidade alertam para que possamos desaparecer ainda este s&eacute;culo. Eu, por mim, n&atilde;o acredito. Um povo-barata sobrevive sempre!
    </p>]]></description>
      <dc:creator><![CDATA[Miguel Gonçalves Mendes]]></dc:creator>
      <guid isPermaLink="true"><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/portugal-pais-improvaveleis_1_1180107.html]]></guid>
      <pubDate><![CDATA[Tue, 24 Dec 2019 17:34:18 +0000]]></pubDate>
      <enclosure url="https://static.eldiario.es/clip/b8e9c148-f4b9-48bb-9f4d-ed92813420b1_16-9-discover-aspect-ratio_default_0.jpg" length="74346" type="image/jpeg"/>
      <media:content url="https://static.eldiario.es/clip/b8e9c148-f4b9-48bb-9f4d-ed92813420b1_16-9-discover-aspect-ratio_default_0.jpg" type="image/jpeg" fileSize="74346" width="1200" height="675"/>
      <media:title><![CDATA[Portugal, o país do(s) improvável(eis)]]></media:title>
      <media:thumbnail url="https://static.eldiario.es/clip/b8e9c148-f4b9-48bb-9f4d-ed92813420b1_16-9-discover-aspect-ratio_default_0.jpg" width="1200" height="675"/>
      <media:keywords><![CDATA[Revista Portugal]]></media:keywords>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Portugal, el país de lo(s) improbable(s)]]></title>
      <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/portugal-pais-improbables_1_1180167.html]]></link>
      <description><![CDATA[<p><img src="https://static.eldiario.es/clip/b8e9c148-f4b9-48bb-9f4d-ed92813420b1_16-9-discover-aspect-ratio_default_0.jpg" width="1200" height="675" alt="Portugal, el país de lo(s) improbable(s)"></p><div class="subtitles"><p class="subtitle">Si existe un denominador común en casi toda la producción artística en Portugal es la desesperación</p><p class="subtitle">Portugal ha destacado a nivel internacional gracias a un abanico de artistas que, con una visión diferente e innovadora, han creado obras inapelables y revolucionarias para la cultura del país</p></div><div class="list">
                    <ul>
                                    <li>Este art&iacute;culo pertenece a la revista Portugal: la magia de lo improbable, de eldiario.es. <a href="https://www.eldiario.es/internacional/Portugal-pais-improvaveleis_0_975353327.html" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Lee aqu&iacute; la versi&oacute;n en portugu&eacute;s</a>. <a href="https://usuarios.eldiario.es/?&amp;_ga=2.49152486.1544745617.1576688436-435767251.1564996877#!/hazte_socio" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Hazte socia ya y recibe nuestras revistas trimestrales en casa</a></li>
                            </ul>
            </div><p class="article-text">
        Portugal es la tierra donde sucede todo lo que no se esperaba que sucediese. &iquest;Qu&eacute; esperar de un Estado naci&oacute;n con casi mil a&ntilde;os de historia que, para hacerse independiente, ve a un hijo declarar la guerra a su madre? &iquest;O que su d&iacute;a nacional es el d&iacute;a de un poeta? &iquest;O que posee en Bel&eacute;m la torre militar m&aacute;s gay de Europa?
    </p><p class="article-text">
        Aqu&iacute; todo es imposible y posible. Hablo de un pueblo que en 1500, con tan solo un mill&oacute;n de habitantes y sin ej&eacute;rcito, llega a todo el mundo, llevando consigo lo peor y lo mejor de Europa. Al desembarcar en India, como dir&iacute;a Eduardo Louren&ccedil;o, Portugal no solo se situ&oacute; en el centro del mundo. Situ&oacute; a Europa en el mapa del mundo, hasta entonces totalmente desconocida en Asia y en las Am&eacute;ricas.
    </p><p class="article-text">
        Somos un pueblo que bautiz&oacute; como Coraz&oacute;n y Barbados a dos islas por pura evocaci&oacute;n po&eacute;tica. Que introdujo el coco y el mango en Brasil; la guindilla en India, que luego dio origen al curry, hoy su plato nacional; la costumbre del t&eacute; en la corte inglesa; la tempura y m&aacute;s de 60 palabras empleadas en el d&iacute;a a d&iacute;a de Jap&oacute;n; el alfabeto latino en Vietnam; la palabra mandar&iacute;n en Espa&ntilde;a (el que manda) o el ukelele en Haw&aacute;i, creando nuevos paisajes culturales que se cree que siempre hab&iacute;an estado ah&iacute;. Pero siempre est&aacute; bien recordar lo improbable de todo esto: como el hecho de que, en una franja de tierra con una partida de analfabetos y un gigante como vecino, surge de ella un Cam&otilde;es, un Gil Vicente o un Fern&atilde;o Mendes Pinto (que deber&iacute;a ser el verdadero s&iacute;mbolo de la naci&oacute;n, el retrato fiel de muerto de hambre, cuya peregrinaci&oacute;n, muy superior a la escrita sobre Marco Polo, es solo el reflejo de un desesperado en busca de algo mejor.
    </p><h3 class="article-text">La desesperaci&oacute;n como motivaci&oacute;n</h3><p class="article-text">
        Y aqu&iacute; entramos en las cr&oacute;nicas de los desesperados. Y si existe un denominador com&uacute;n en casi toda la producci&oacute;n art&iacute;stica en Portugal es la desesperaci&oacute;n: Fernando de Magallanes que, rechazado por su corte, vende a Espa&ntilde;a la idea de la circunnavegaci&oacute;n, lo que le acarre&oacute; amenazas de muerte y destierro por ello; Cam&otilde;es, que casi muere para salvar su obra, como cont&oacute; Saramago; Fernando Pessoa, descubierto y exaltado casi 20 a&ntilde;os despu&eacute;s de su muerte y Agostinho da Silva o Jorge de Sena, cuya &uacute;nica forma de sobrevivir fue emigrar a Brasil.
    </p><p class="article-text">
        As&iacute;, cuando me piden escribir sobre la cultura en Portugal, siempre me acuerdo del linaje de desharrapados y excluidos que somos. Incluso hoy, si quisiesen encontrar un icono actual de la cultura portuguesa, es posible que lo vean tras la barra de alg&uacute;n bar o trabajando en un hostal para mantener su creaci&oacute;n de artista y, al final, adem&aacute;s, ser acusado de vivir a costa del Estado.
    </p><h3 class="article-text">&ldquo;No se existe antes de los 100 a&ntilde;os&rdquo;</h3><p class="article-text">
        Como dir&iacute;a uno de nuestros mayores artistas pl&aacute;sticos y dise&ntilde;ador gr&aacute;fico, Fernando Lemos: &ldquo;En Portugal nunca se nace ni se existe antes de los 100 a&ntilde;os. Aqu&iacute; solo se respeta y celebra el centenario. Hasta entonces, no existimos&rdquo;. Tal vez por eso, Almada Negreiros haya escrito que Portugal es &ldquo;la patria donde Cam&otilde;es muri&oacute; de hambre y donde todos se llenan el est&oacute;mago para hablar de Cam&otilde;es&rdquo;. Pero, en el pa&iacute;s de los improbables, es posible un hombre de origen humilde y poco m&aacute;s que la ense&ntilde;anza primaria, que comienza a escribir novelas a los 60 a&ntilde;os y que gana el Nobel a los 76, como nuestro gran Saramago. En el pa&iacute;s de los improbables, un joven de 21 a&ntilde;os como Vhils, que crece en un barrio obrero cualquiera de la otra margen del r&iacute;o, y solo es reconocido en Portugal tras ganar fama a escala planetaria. Porque aqu&iacute;, en Portugal, solo existimos cuando nos reconocen fuera. Hasta entonces, somos invisibles. &iquest;Y qu&eacute; decir de Carlos Paredes, el funcionario administrativo de un hospital que hablaba a trav&eacute;s de su guitarra? &iquest;O de Am&aacute;lia, que nace en la miseria, entre putas y borrachos, y se convierte en diva de la naci&oacute;n? &iquest;O de Carmen Miranda, que solo despu&eacute;s de emigrar se convierte en estrella y s&iacute;mbolo del Brasil sin fronteras?
    </p><p class="article-text">
        Portugal ha destacado a nivel internacional gracias a un abanico de artistas que, con una visi&oacute;n diferente e innovadora, han creado obras inapelables y revolucionarias para la cultura del pa&iacute;s, en los campos m&aacute;s variados. Paula Rego, probablemente una de nuestras mayores artistas vivas, tiene una obra amplia, universalmente elogiada, y ha sido objeto de varias retrospectivas y exposiciones. Su importancia es tal que ha sido reconocida por el ex presidente de la Rep&uacute;blica, Jorge Sampaio, quien invit&oacute; a la artista a pintar el provocador Ciclo de la Vida de la Virgen Mar&iacute;a y de la Pasi&oacute;n de Cristo en la capilla presidencial del Palacio de Bel&eacute;m. La m&uacute;sica portuguesa est&aacute; viviendo sus a&ntilde;os m&aacute;s prol&iacute;ficos y ecl&eacute;cticos, ya que cuenta con creadores que, en distintos estilos y g&eacute;neros, ha llamado la atenci&oacute;n de los portugueses hacia su propia lengua, y de admiradores de todo el mundo que llenan espect&aacute;culos de m&uacute;sicos como Salvador Sobral, Noiserv o Buraka Som Sistema (proyecto singular que muestra c&oacute;mo la fusi&oacute;n de culturas de pa&iacute;ses de lengua portuguesa puede crear algo completamente nuevo). En literatura, Valter Hugo M&atilde;e destaca como uno de los mayores escritores de su generaci&oacute;n, y ya ha logrado la aclamaci&oacute;n del p&uacute;blico y de la cr&iacute;tica con novelas impresionantes e innovadoras como el El Apocalipsis de los trabajadores o La m&aacute;quina de hacer espa&ntilde;oles. En el cine, Miguel Gomes, con su obra maestra Tab&uacute;, es el mayor exponente de su generaci&oacute;n; en el humor, Bruno Aleixo; en ciencia, Ant&oacute;nio Dam&aacute;sio ha realizado investigaciones sobre el funcionamiento del cerebro que son estudiadas y seguidas a nivel mundial; y en f&iacute;sica, Jo&atilde;o Magueijo ha propuesto una nueva y pol&eacute;mica teor&iacute;a sobre la velocidad de la luz, en el libro M&aacute;s r&aacute;pido que la luz, que ha sido debatida en toda la comunidad cient&iacute;fica. Y, finalmente, pero no menos importante: Joana Vasconcelos, probablemente una de las artistas portuguesas m&aacute;s internacionales cuya obra, a pesar de que no re&uacute;ne la aprobaci&oacute;n de todos, ha sido exhibida en el Palacio de Versalles y en el Guggenheim gracias a su m&eacute;rito y esfuerzo. Para un pa&iacute;s tan peque&ntilde;o y aparentemente tan insignificante, esta resumida muestra de ejemplos deja claro c&oacute;mo los portugueses son enormemente m&aacute;s importantes que su dimensi&oacute;n geogr&aacute;fica.
    </p><p class="article-text">
        Cuando era ni&ntilde;o, me gustaba imaginar que Portugal era el pa&iacute;s que ten&iacute;a m&aacute;s mentes brillantes por metro cuadrado. E incluso hoy quiero creer en ello, al ver un gol de Cristiano Ronaldo o un discurso de Ant&oacute;nio Guterres al presidir la ONU.
    </p><p class="article-text">
        Pero el problema es: en Portugal todo es casualidad, todo es accidente, no existe y nunca ha existido una pol&iacute;tica de Estado para la cultura. Todo es una suma de improbables. Estamos hechos de &eacute;xitos exclusivamente individuales, que no significan nada, ya que a cada &eacute;xito, aqu&iacute;, recomenzamos siempre de cero.
    </p><p class="article-text">
        Y quiz&aacute;s sea eso lo que nos convierte en improbables: nuestra resiliencia. Somos un pueblo a punto de completar un milenio de existencia, una especie de musgo que insiste en resistir. El pueblo-cucaracha que sobrevive a todo, incluso a la indiferencia y al maltrato de los suyos.
    </p><p class="article-text">
        Entonces, cuando retratan a Portugal como el pa&iacute;s de la melancol&iacute;a, lamento no estar de acuerdo. Creo que solo somos indiferentes a las amarguras de la historia: l&iacute;deres que abandonan varias veces a su pueblo, terremotos que destruyen varias veces el pa&iacute;s, una guerra colonial rid&iacute;cula y anacr&oacute;nica que dur&oacute; unos desesperantes 13 a&ntilde;os. Una indiferencia que nos vuelve los reyes del sarcasmo y de la protesta.
    </p><p class="article-text">
        La verdad es que 50 a&ntilde;os de dictadura nos han vuelto ap&aacute;ticos. Porque es m&aacute;s f&aacute;cil ser v&iacute;ctima que actuar. Es m&aacute;s f&aacute;cil ser los pobrecitos y culpar a los dem&aacute;s. Somos &ldquo;el pueblo peque&ntilde;o, el pueblo ni&ntilde;o&rdquo;, de Cesariny, que cree que su salvaci&oacute;n est&aacute; en los astros. Nuestra eterna fe en el Esp&iacute;ritu Santo y en el &eacute;xtasis. Y as&iacute;, basta ver im&aacute;genes de los a&ntilde;os 40 para darnos cuenta de que &eacute;ramos, y todav&iacute;a somos, un pueblo rural. Mientras en Nueva York los zepelines sobrevolaban los rascacielos, en Portugal las mujeres del pueblo caminaban descalzas.
    </p><p class="article-text">
        Pero finalmente llega la revoluci&oacute;n que destituy&oacute; un r&eacute;gimen en descomposici&oacute;n, la revoluci&oacute;n m&aacute;s bonita que se recuerde. Con un ej&eacute;rcito liberador que respeta las se&ntilde;ales de tr&aacute;fico antes de intentar la revoluci&oacute;n y que coloca claveles rojos en las bocas de los fusiles. La Revoluci&oacute;n de los Claveles. Bonito, &iquest;verdad?
    </p><p class="article-text">
        Pero de poco o nada ha servido a los invisibles, porque el 25 de abril nunca ha llegado a la cultura.
    </p><h3 class="article-text">Siempre solos</h3><p class="article-text">
        Desgraciadamente, la &eacute;lite portuguesa siempre ha sido mediocre, y todav&iacute;a lo es. Una &eacute;lite que cree que la cultura se resume en saber hablar franc&eacute;s, tocar el piano y quiz&aacute;s tener algunas antig&uuml;edades en casa. Que nunca se ha preocupado por el bien com&uacute;n, sino por el poder por el estatus del poder, no para ejercerlo en pro de alguna meta. La pol&iacute;tica cultural del Estado portugu&eacute;s est&aacute; perfectamente simbolizada en la sede del Ministerio de Cultura, un antiguo palacio real nunca terminado y que cuenta desde hace m&aacute;s de 200 a&ntilde;os con una falsa pared, una falsa fachada que remata el conjunto arquitect&oacute;nico. En el fondo, en t&eacute;rminos pol&iacute;ticos, todo aqu&iacute; es fachada. Y si, a lo largo de la historia, en la mayor&iacute;a de pa&iacute;ses, el arte es y siempre ha sido un ejercicio de burgueses, aqu&iacute;, por el contrario, siempre ha sido un ejercicio de desharrapados que, como yo, con 40 a&ntilde;os y ganando mil euros al mes, ingenuamente creen que pueden hacer algo por su pa&iacute;s.
    </p><p class="article-text">
        Pero quiz&aacute;s sea esta pl&aacute;cida inocencia, este mar gigante, el que nos hace a todos so&ntilde;ar, el que convierte a Portugal, y en especial a Lisboa, en un dulce y adictivo purgatorio que no conseguimos abandonar. Lo que me lleva a pensar que tal vez sea nuestra indiferencia, nuestra displicencia cong&eacute;nita o nuestra gen&eacute;tica na&iacute;f las que han hecho que los Malkovich, Madonna, Michael Fassbender o Monica Belluci hayan escogido este lugar para vivir. Porque aqu&iacute;, por m&aacute;s acompa&ntilde;ados que estemos, estaremos siempre solos.
    </p><p class="article-text">
        Acabamos de celebrar el 10 de junio, d&iacute;a nacional de Cam&otilde;es, y siempre que veo a agentes culturales recibiendo condecoraciones, sue&ntilde;o con el d&iacute;a en el que alguien diga: se&ntilde;or presidente, se&ntilde;or primer ministro, tengo la mayor consideraci&oacute;n por usted pero, en honor de todos aquellos que me han precedido, &iexcl;quiero que el Estado portugu&eacute;s se meta las condecoraciones por donde le quepan!
    </p><p class="article-text">
        Hoy somos solo 10 millones. Algunos estudios sobre natalidad alertan de que podemos desaparecer este mismo siglo. Por mi parte, no lo creo. &iexcl;Un pueblo-cucaracha sobrevive siempre!
    </p><p class="article-text">
        Traducci&oacute;n: Eduardo L&oacute;pez-Jamar
    </p>]]></description>
      <dc:creator><![CDATA[Miguel Gonçalves Mendes]]></dc:creator>
      <guid isPermaLink="true"><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/portugal-pais-improbables_1_1180167.html]]></guid>
      <pubDate><![CDATA[Tue, 24 Dec 2019 17:33:52 +0000]]></pubDate>
      <enclosure url="https://static.eldiario.es/clip/b8e9c148-f4b9-48bb-9f4d-ed92813420b1_16-9-discover-aspect-ratio_default_0.jpg" length="74346" type="image/jpeg"/>
      <media:content url="https://static.eldiario.es/clip/b8e9c148-f4b9-48bb-9f4d-ed92813420b1_16-9-discover-aspect-ratio_default_0.jpg" type="image/jpeg" fileSize="74346" width="1200" height="675"/>
      <media:title><![CDATA[Portugal, el país de lo(s) improbable(s)]]></media:title>
      <media:thumbnail url="https://static.eldiario.es/clip/b8e9c148-f4b9-48bb-9f4d-ed92813420b1_16-9-discover-aspect-ratio_default_0.jpg" width="1200" height="675"/>
      <media:keywords><![CDATA[José Saramago,Literatura,Cultura,Revista Portugal]]></media:keywords>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Portugal, el país de lo(s) improbable(s)]]></title>
      <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/opinion/zona-critica/portugal-pais-improbables_129_1341466.html]]></link>
      <description><![CDATA[<p><img src="https://static.eldiario.es/clip/940b00f8-63cf-40b4-9723-2c141904b922_16-9-aspect-ratio_default_0.jpg" width="880" height="495" alt="Exposición &quot;Léxico familiar&quot; recorre 60 años de la trayectoria de Paula Rego"></p><div class="subtitles"><p class="subtitle">Si existe un denominador común en casi toda la producción artística en Portugal es la desesperación</p><p class="subtitle">Como diría uno de nuestros mayores artistas plásticos, Fernando Lemos: “En Portugal nunca se nace ni se existe antes de los 100 años. Aquí solo se respeta y celebra el centenario. Hasta entonces, no existimos”</p><p class="subtitle">Portugal ha destacado a nivel internacional gracias a un abanico de artistas que, con una visión diferente e innovadora, han creado obras inapelables y revolucionarias para la cultura del país</p></div><p class="article-text">
        Portugal es la tierra donde sucede todo lo que no se esperaba que sucediese. &iquest;Qu&eacute; esperar de un Estado naci&oacute;n con casi mil a&ntilde;os de historia que, para hacerse independiente, ve a un hijo declarar la guerra a su madre? &iquest;O que su d&iacute;a nacional es el d&iacute;a de un poeta? &iquest;O que posee en Bel&eacute;m la torre militar m&aacute;s gay de Europa?
    </p><p class="article-text">
        Aqu&iacute; todo es imposible y posible. Hablo de un pueblo que en 1500, con tan solo un mill&oacute;n de habitantes y sin ej&eacute;rcito, llega a todo el mundo, llevando consigo lo peor y lo mejor de Europa. Al desembarcar en India, como dir&iacute;a Eduardo Louren&ccedil;o, Portugal no solo se situ&oacute; en el centro del mundo. Situ&oacute; a Europa en el mapa del mundo, hasta entonces totalmente desconocida en Asia y en las Am&eacute;ricas.
    </p><p class="article-text">
        Somos un pueblo que bautiz&oacute; como Coraz&oacute;n y Barbados a dos islas por pura evocaci&oacute;n po&eacute;tica. Que introdujo el coco y el mango en Brasil; la guindilla en India, que luego dio origen al curry, hoy su plato nacional; la costumbre del t&eacute; en la corte inglesa; la tempura y m&aacute;s de 60 palabras empleadas en el d&iacute;a a d&iacute;a de Jap&oacute;n; el alfabeto latino en Vietnam; la palabra mandar&iacute;n en Espa&ntilde;a (el que manda) o el ukelele en Haw&aacute;i, creando nuevos paisajes culturales que se cree que siempre hab&iacute;an estado ah&iacute;. Pero siempre est&aacute; bien recordar lo improbable de todo esto: como el hecho de que, en una franja de tierra con una partida de analfabetos y un gigante como vecino, surge de ella un Cam&otilde;es, un Gil Vicente o un Fern&atilde;o Mendes Pinto (que deber&iacute;a ser el verdadero s&iacute;mbolo de la naci&oacute;n, el retrato fiel de muerto de hambre, cuya peregrinaci&oacute;n, muy superior a la escrita sobre Marco Polo, es solo el reflejo de un desesperado en busca de algo mejor.
    </p><p class="article-text">
        Y aqu&iacute; entramos en las cr&oacute;nicas de los desesperados. Y si existe un denominador com&uacute;n en casi toda la producci&oacute;n art&iacute;stica en Portugal es la desesperaci&oacute;n: Fernando de Magallanes que, rechazado por su corte, vende a Espa&ntilde;a la idea de la circunnavegaci&oacute;n, lo que le acarre&oacute; amenazas de muerte y destierro por ello; Cam&otilde;es, que casi muere para salvar su obra, como cont&oacute; Saramago; Fernando Pessoa, descubierto y exaltado casi 20 a&ntilde;os despu&eacute;s de su muerte y Agostinho da Silva o Jorge de Sena, cuya &uacute;nica forma de sobrevivir fue emigrar a Brasil.
    </p><p class="article-text">
        As&iacute;, cuando me piden escribir sobre la cultura en Portugal, siempre me acuerdo del linaje de desharrapados y excluidos que somos. Incluso hoy, si quisiesen encontrar un icono actual de la cultura portuguesa, es posible que lo vean tras la barra de alg&uacute;n bar o trabajando en un hostal para mantener su creaci&oacute;n de artista y, al final, adem&aacute;s, ser acusado de vivir a costa del Estado.
    </p><p class="article-text">
        Como dir&iacute;a uno de nuestros mayores artistas pl&aacute;sticos y dise&ntilde;ador gr&aacute;fico, Fernando Lemos: &ldquo;En Portugal nunca se nace ni se existe antes de los 100 a&ntilde;os. Aqu&iacute; solo se respeta y celebra el centenario. Hasta entonces, no existimos&rdquo;. Tal vez por eso, Almada Negreiros haya escrito que Portugal es &ldquo;la patria donde Cam&otilde;es muri&oacute; de hambre y donde todos se llenan el est&oacute;mago para hablar de Cam&otilde;es&rdquo;. Pero, en el pa&iacute;s de los improbables, es posible un hombre de origen humilde y poco m&aacute;s que la ense&ntilde;anza primaria, que comienza a escribir novelas a los 60 a&ntilde;os y que gana el Nobel a los 76, como nuestro gran Saramago. En el pa&iacute;s de los improbables, un joven de 21 a&ntilde;os como Vhils, que crece en un barrio obrero cualquiera de la otra margen del r&iacute;o, y solo es reconocido en Portugal tras ganar fama a escala planetaria. Porque aqu&iacute;, en Portugal, solo existimos cuando nos reconocen fuera. Hasta entonces, somos invisibles. &iquest;Y qu&eacute; decir de Carlos Paredes, el funcionario administrativo de un hospital que hablaba a trav&eacute;s de su guitarra? &iquest;O de Am&aacute;lia, que nace en la miseria, entre putas y borrachos, y se convierte en diva de la naci&oacute;n? &iquest;O de Carmen Miranda, que solo despu&eacute;s de emigrar se convierte en estrella y s&iacute;mbolo del Brasil sin fronteras?
    </p><p class="article-text">
        Portugal ha destacado a nivel internacional gracias a un abanico de artistas que, con una visi&oacute;n diferente e innovadora, han creado obras inapelables y revolucionarias para la cultura del pa&iacute;s, en los campos m&aacute;s variados. Paula Rego, probablemente una de nuestras mayores artistas vivas, tiene una obra amplia, universalmente elogiada, y ha sido objeto de varias retrospectivas y exposiciones. Su importancia es tal que ha sido reconocida por el ex presidente de la Rep&uacute;blica, Jorge Sampaio, quien invit&oacute; a la artista a pintar el provocador Ciclo de la Vida de la Virgen Mar&iacute;a y de la Pasi&oacute;n de Cristo en la capilla presidencial del Palacio de Bel&eacute;m. La m&uacute;sica portuguesa est&aacute; viviendo sus a&ntilde;os m&aacute;s prol&iacute;ficos y ecl&eacute;cticos, ya que cuenta con creadores que, en distintos estilos y g&eacute;neros, ha llamado la atenci&oacute;n de los portugueses hacia su propia lengua, y de admiradores de todo el mundo que llenan espect&aacute;culos de m&uacute;sicos como Salvador Sobral, Noiserv o Buraka Som Sistema (proyecto singular que muestra c&oacute;mo la fusi&oacute;n de culturas de pa&iacute;ses de lengua portuguesa puede crear algo completamente nuevo). En literatura, Valter Hugo M&atilde;e destaca como uno de los mayores escritores de su generaci&oacute;n, y ya ha logrado la aclamaci&oacute;n del p&uacute;blico y de la cr&iacute;tica con novelas impresionantes e innovadoras como el El Apocalipsis de los trabajadores o La m&aacute;quina de hacer espa&ntilde;oles. En el cine, Miguel Gomes, con su obra maestra Tab&uacute;, es el mayor exponente de su generaci&oacute;n; en el humor, Bruno Aleixo; en ciencia, Ant&oacute;nio Dam&aacute;sio ha realizado investigaciones sobre el funcionamiento del cerebro que son estudiadas y seguidas a nivel mundial; y en f&iacute;sica, Jo&atilde;o Magueijo ha propuesto una nueva y pol&eacute;mica teor&iacute;a sobre la velocidad de la luz, en el libro M&aacute;s r&aacute;pido que la luz, que ha sido debatida en toda la comunidad cient&iacute;fica. Y, finalmente, pero no menos importante: Joana Vasconcelos, probablemente una de las artistas portuguesas m&aacute;s internacionales cuya obra, a pesar de que no re&uacute;ne la aprobaci&oacute;n de todos, ha sido exhibida en el Palacio de Versalles y en el Guggenheim gracias a su m&eacute;rito y esfuerzo. Para un pa&iacute;s tan peque&ntilde;o y aparentemente tan insignificante, esta resumida muestra de ejemplos deja claro c&oacute;mo los portugueses son enormemente m&aacute;s importantes que su dimensi&oacute;n geogr&aacute;fica.
    </p><p class="article-text">
        Cuando era ni&ntilde;o, me gustaba imaginar que Portugal era el pa&iacute;s que ten&iacute;a m&aacute;s mentes brillantes por metro cuadrado. E incluso hoy quiero creer en ello, al ver un gol de Cristiano Ronaldo o un discurso de Ant&oacute;nio Guterres al presidir la ONU.
    </p><p class="article-text">
        Pero el problema es: en Portugal todo es casualidad, todo es accidente, no existe y nunca ha existido una pol&iacute;tica de Estado para la cultura. Todo es una suma de improbables. Estamos hechos de &eacute;xitos exclusivamente individuales, que no significan nada, ya que a cada &eacute;xito, aqu&iacute;, recomenzamos siempre de cero.
    </p><p class="article-text">
        Y quiz&aacute;s sea eso lo que nos convierte en improbables: nuestra resiliencia. Somos un pueblo a punto de completar un milenio de existencia, una especie de musgo que insiste en resistir. El pueblo-cucaracha que sobrevive a todo, incluso a la indiferencia y al maltrato de los suyos.
    </p><p class="article-text">
        Entonces, cuando retratan a Portugal como el pa&iacute;s de la melancol&iacute;a, lamento no estar de acuerdo. Creo que solo somos indiferentes a las amarguras de la historia: l&iacute;deres que abandonan varias veces a su pueblo, terremotos que destruyen varias veces el pa&iacute;s, una guerra colonial rid&iacute;cula y anacr&oacute;nica que dur&oacute; unos desesperantes 13 a&ntilde;os. Una indiferencia que nos vuelve los reyes del sarcasmo y de la protesta.
    </p><p class="article-text">
        La verdad es que 50 a&ntilde;os de dictadura nos han vuelto ap&aacute;ticos. Porque es m&aacute;s f&aacute;cil ser v&iacute;ctima que actuar. Es m&aacute;s f&aacute;cil ser los pobrecitos y culpar a los dem&aacute;s. Somos &ldquo;el pueblo peque&ntilde;o, el pueblo ni&ntilde;o&rdquo;, de Cesariny, que cree que su salvaci&oacute;n est&aacute; en los astros. Nuestra eterna fe en el Esp&iacute;ritu Santo y en el &eacute;xtasis. Y as&iacute;, basta ver im&aacute;genes de los a&ntilde;os 40 para darnos cuenta de que &eacute;ramos, y todav&iacute;a somos, un pueblo rural. Mientras en Nueva York los zepelines sobrevolaban los rascacielos, en Portugal las mujeres del pueblo caminaban descalzas.
    </p><p class="article-text">
        Pero finalmente llega la revoluci&oacute;n que destituy&oacute; un r&eacute;gimen en descomposici&oacute;n, la revoluci&oacute;n m&aacute;s bonita que se recuerde. Con un ej&eacute;rcito liberador que respeta las se&ntilde;ales de tr&aacute;fico antes de intentar la revoluci&oacute;n y que coloca claveles rojos en las bocas de los fusiles. La Revoluci&oacute;n de los Claveles. Bonito, &iquest;verdad?
    </p><p class="article-text">
        Pero de poco o nada ha servido a los invisibles, porque el 25 de abril nunca ha llegado a la cultura.
    </p><p class="article-text">
        Desgraciadamente, la &eacute;lite portuguesa siempre ha sido mediocre, y todav&iacute;a lo es. Una &eacute;lite que cree que la cultura se resume en saber hablar franc&eacute;s, tocar el piano y quiz&aacute;s tener algunas antig&uuml;edades en casa. Que nunca se ha preocupado por el bien com&uacute;n, sino por el poder por el estatus del poder, no para ejercerlo en pro de alguna meta. La pol&iacute;tica cultural del Estado portugu&eacute;s est&aacute; perfectamente simbolizada en la sede del Ministerio de Cultura, un antiguo palacio real nunca terminado y que cuenta desde hace m&aacute;s de 200 a&ntilde;os con una falsa pared, una falsa fachada que remata el conjunto arquitect&oacute;nico. En el fondo, en t&eacute;rminos pol&iacute;ticos, todo aqu&iacute; es fachada. Y si, a lo largo de la historia, en la mayor&iacute;a de pa&iacute;ses, el arte es y siempre ha sido un ejercicio de burgueses, aqu&iacute;, por el contrario, siempre ha sido un ejercicio de desharrapados que, como yo, con 40 a&ntilde;os y ganando mil euros al mes, ingenuamente creen que pueden hacer algo por su pa&iacute;s.
    </p><p class="article-text">
        Pero quiz&aacute;s sea esta pl&aacute;cida inocencia, este mar gigante, el que nos hace a todos so&ntilde;ar, el que convierte a Portugal, y en especial a Lisboa, en un dulce y adictivo purgatorio que no conseguimos abandonar. Lo que me lleva a pensar que tal vez sea nuestra indiferencia, nuestra displicencia cong&eacute;nita o nuestra gen&eacute;tica na&iacute;f las que han hecho que los Malkovich, Madonna, Michael Fassbender o Monica Belluci hayan escogido este lugar para vivir. Porque aqu&iacute;, por m&aacute;s acompa&ntilde;ados que estemos, estaremos siempre solos.
    </p><p class="article-text">
        Acabamos de celebrar el 10 de junio, d&iacute;a nacional de Cam&otilde;es, y siempre que veo a agentes culturales recibiendo condecoraciones, sue&ntilde;o con el d&iacute;a en el que alguien diga: se&ntilde;or presidente, se&ntilde;or primer ministro, tengo la mayor consideraci&oacute;n por usted pero, en honor de todos aquellos que me han precedido, &iexcl;quiero que el Estado portugu&eacute;s se meta las condecoraciones por donde le quepan!
    </p><p class="article-text">
        Hoy somos solo 10 millones. Algunos estudios sobre natalidad alertan de que podemos desaparecer este mismo siglo. Por mi parte, no lo creo. &iexcl;Un pueblo-cucaracha sobrevive siempre!
    </p><p class="article-text">
        ---
    </p><p class="article-text">
        <strong>El laberinto de &ldquo;saudade&rdquo;, la &uacute;ltima pel&iacute;cula de Miguel Gon&ccedil;alves Mendes (director de&nbsp;Jos&eacute; e Pilar, sobre el Nobel Jos&eacute; Saramago, producida por El Deseo), se proyectar&aacute; por primera vez en Espa&ntilde;a este mi&eacute;rcoles, 25 de septiembre, a las 20:30, en la Muestra de Cine Portugu&eacute;s del&nbsp;Centro Galego de Artes da Imaxe. CGAI&nbsp;- Filmoteca de Galicia. &nbsp;La pel&iacute;cula, ganadora del premio al mejor documental de la&nbsp;Academia Portuguesa de Cinema, es una adaptaci&oacute;n del libro de Eduardo Louren&ccedil;o, uno de los m&aacute;s importantes pensadores y fil&oacute;sofos de Portugal.&nbsp;</strong><a href="https://www.facebook.com/joseandpilar/?__tn__=K-R&amp;eid=ARBLHAM5lyMQBYPamTq8wOdFsrEOGiVY8xAKQqBZmB6_uT65kGqXPaWMGYlGtKTjAzn1CT_UV3TC506L&amp;fref=mentions&amp;__xts__%5B0%5D=68.ARDmWMPZFCLNom5VYA-eXQBMhx723rr6K4k-XUsmBHxlNorcTATlYjqyNcMbmbhy-FismzqdJa1UvAzUGUQ92UIhQNbNJcScxz3p0X6clgpEyLU00UbpeGHUXyNGSjK4LJGSRtnqnk7Duv2NZ3Fkue770lg9RDB7DV9Ii6m6nBHhQSX_2pNAS8yGQZVjaqevqXKCFe5Zo5GiTgbVbz5UULNXNJWLY8B5vw7MhCVhLenvyagD5sxe0YNAXiIzzifTEvJWzth5uO1iDVaLv5az5ymIpZUPzUj-qwL1kqe6Btou7610iTaevxyuRatSK7kaVS3T_ToxY8yUN4kJnYI2pnxrPA" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia" class="link">Jos&eacute; e Pilar</a><a href="https://www.facebook.com/centrogalegoartesimaxe/?__tn__=K-R&amp;eid=ARAAxGZ6mLO7bAmG5rnlJvFoEZ9hwhPBCNp21C_FcfaEbol7IV4vANgiADz1-bhftBr4U87AE3T9a6AW&amp;fref=mentions&amp;__xts__%5B0%5D=68.ARDmWMPZFCLNom5VYA-eXQBMhx723rr6K4k-XUsmBHxlNorcTATlYjqyNcMbmbhy-FismzqdJa1UvAzUGUQ92UIhQNbNJcScxz3p0X6clgpEyLU00UbpeGHUXyNGSjK4LJGSRtnqnk7Duv2NZ3Fkue770lg9RDB7DV9Ii6m6nBHhQSX_2pNAS8yGQZVjaqevqXKCFe5Zo5GiTgbVbz5UULNXNJWLY8B5vw7MhCVhLenvyagD5sxe0YNAXiIzzifTEvJWzth5uO1iDVaLv5az5ymIpZUPzUj-qwL1kqe6Btou7610iTaevxyuRatSK7kaVS3T_ToxY8yUN4kJnYI2pnxrPA" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia" class="link">Centro Galego de Artes da Imaxe. CGAI</a><a href="https://www.facebook.com/academiaportuguesadecinema/?__tn__=K-R&amp;eid=ARAk1gsw2M0h9mM9-CO5Qu7W8YIcmc6vJGg8C-5KHAdAXcjVgQTuyw5Vj8Tq7SCEbVmS9wOjlCrZIXTj&amp;fref=mentions&amp;__xts__%5B0%5D=68.ARDmWMPZFCLNom5VYA-eXQBMhx723rr6K4k-XUsmBHxlNorcTATlYjqyNcMbmbhy-FismzqdJa1UvAzUGUQ92UIhQNbNJcScxz3p0X6clgpEyLU00UbpeGHUXyNGSjK4LJGSRtnqnk7Duv2NZ3Fkue770lg9RDB7DV9Ii6m6nBHhQSX_2pNAS8yGQZVjaqevqXKCFe5Zo5GiTgbVbz5UULNXNJWLY8B5vw7MhCVhLenvyagD5sxe0YNAXiIzzifTEvJWzth5uO1iDVaLv5az5ymIpZUPzUj-qwL1kqe6Btou7610iTaevxyuRatSK7kaVS3T_ToxY8yUN4kJnYI2pnxrPA" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia" class="link">Academia Portuguesa de Cinema</a><strong>El director estar&aacute; presente en la sesi&oacute;n para un debate con el publico.</strong>
    </p>]]></description>
      <dc:creator><![CDATA[Miguel Gonçalves Mendes]]></dc:creator>
      <guid isPermaLink="true"><![CDATA[https://www.eldiario.es/opinion/zona-critica/portugal-pais-improbables_129_1341466.html]]></guid>
      <pubDate><![CDATA[Tue, 24 Sep 2019 21:36:42 +0000]]></pubDate>
      <enclosure url="https://static.eldiario.es/clip/940b00f8-63cf-40b4-9723-2c141904b922_16-9-aspect-ratio_default_0.jpg" length="47283" type="image/jpeg"/>
      <media:content url="https://static.eldiario.es/clip/940b00f8-63cf-40b4-9723-2c141904b922_16-9-aspect-ratio_default_0.jpg" type="image/jpeg" fileSize="47283" width="880" height="495"/>
      <media:title><![CDATA[Portugal, el país de lo(s) improbable(s)]]></media:title>
      <media:thumbnail url="https://static.eldiario.es/clip/940b00f8-63cf-40b4-9723-2c141904b922_16-9-aspect-ratio_default_0.jpg" width="880" height="495"/>
      <media:keywords><![CDATA[Portugal,Cultura]]></media:keywords>
    </item>
  </channel>
</rss>
