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    <title><![CDATA[elDiario.es - António Sampaio Da Nóvoa]]></title>
    <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/autores/antonio-sampaio-da-novoa/]]></link>
    <description><![CDATA[elDiario.es - António Sampaio Da Nóvoa]]></description>
    <language><![CDATA[es]]></language>
    <copyright><![CDATA[Copyright El Diario]]></copyright>
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    <item>
      <title><![CDATA[Nosso futuro está no mundo]]></title>
      <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/nosso-futuro-mundo_1_1181316.html]]></link>
      <description><![CDATA[<p><img src="https://static.eldiario.es/clip/3dc3b3cc-5f1f-4d71-8001-0793935d158e_16-9-aspect-ratio_default_0.jpg" width="880" height="495" alt="Cais do Sodre (Lisboa) "></p><div class="subtitles"><p class="subtitle">Estas três transformações são a marca de uma geração que, a partir de diferentes posições e ideologias, soube manter um rumo para o país</p><p class="subtitle">Em vez da "revolução nos costumes" assistimos, agora, a um recuo nos temas da diversidade, com o crescimento das indústrias da crença, fábricas de fundamentalismos contra a razão e a ciência</p></div><div class="list">
                    <ul>
                                    <li>Este artigo pertence &agrave; revista <em>Portugal: a magia do improv&aacute;vel</em>, de eldiario.es. <a href="https://www.eldiario.es/internacional/futuro-mundo_0_975353033.html" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Leia a vers&atilde;o em Castelhano aqui</a>. <a href="https://usuarios.eldiario.es/?&amp;_ga=2.202743890.2142663424.1576481990-552936294.1573326272#!/hazte_socio" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Torne-se um membro agora e receba nossas revistas trimestrais em casa</a></li>
                            </ul>
            </div><p class="article-text">
        A hist&oacute;ria pode come&ccedil;ar mais perto ou mais longe. Para falar de Portugal, hoje, uma boa possibilidade &eacute; recuar 50 anos e tra&ccedil;ar os caminhos da gera&ccedil;&atilde;o que nasceu para a liberdade nas lutas estudantis dos anos 60, e que est&aacute; na origem de tr&ecirc;s grandes transforma&ccedil;&otilde;es do nosso pa&iacute;s.
    </p><p class="article-text">
        Primeiro, uma revolu&ccedil;&atilde;o nos costumes, com uma mudan&ccedil;a profunda no lugar da mulher e nas rela&ccedil;&otilde;es sociais, tamb&eacute;m com a emerg&ecirc;ncia de novas fam&iacute;lias e a diversidade sexual e de g&eacute;nero.
    </p><p class="article-text">
        Segundo, uma abertura ao mundo, com o fim do isolacionismo salazarista e do colonialismo, a ades&atilde;o &agrave; Uni&atilde;o Europeia e ao multilateralismo, a afirma&ccedil;&atilde;o de uma vontade cosmopolita.
    </p><p class="article-text">
        Terceiro, a constru&ccedil;&atilde;o de uma democracia com direitos, da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica aos direitos sociais. Como se cantava nas ruas no tempo da revolu&ccedil;&atilde;o de Abril: &ldquo;S&oacute; h&aacute; liberdade a s&eacute;rio quando houver/A paz, o p&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;.
    </p><p class="article-text">
        Estas tr&ecirc;s transforma&ccedil;&otilde;es s&atilde;o a marca de uma gera&ccedil;&atilde;o que, a partir de diferentes posi&ccedil;&otilde;es e ideologias, soube manter um rumo para o pa&iacute;s. Portugal &eacute;, hoje, infinitamente melhor do que era em 1969.
    </p><p class="article-text">
        Duas linhas atravessam estes 50 anos: um esfor&ccedil;o continuado nas &aacute;reas da educa&ccedil;&atilde;o e da ci&ecirc;ncia. Em 1969, a escola p&uacute;blica era med&iacute;ocre, uma das piores da Europa. Hoje, orgulhamo-nos da escola que fomos capazes de construir gra&ccedil;as a um trabalho colectivo de todos. Em 1969, as universidades eram incipientes e praticamente n&atilde;o havia ci&ecirc;ncia. Hoje, os nossos jovens t&ecirc;m boas qualifica&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas e os nossos cientistas est&atilde;o em muitos lugares do mundo, e tamb&eacute;m em excelentes institui&ccedil;&otilde;es em Portugal.
    </p><h3 class="article-text">Um pa&iacute;s de grandes desigualdades</h3><p class="article-text">
        A educa&ccedil;&atilde;o e a ci&ecirc;ncia s&atilde;o as duas grandes fronteiras da liberdade. Mas Portugal conheceu, tamb&eacute;m, avan&ccedil;os continuados na sa&uacute;de (uma das menores taxas de mortalidade infantil do mundo), no ambiente, no mar (com o alargamento da plataforma continental, 97% de Portugal ser&aacute; mar e s&oacute; 3% terra), nas cidades, na seguran&ccedil;a e at&eacute; na solidariedade, sobretudo inter-geracional. Mais dif&iacute;cil t&ecirc;m sido os temas da economia, do trabalho (a precariedade &eacute; o grande risco para os jovens) e da justi&ccedil;a. E Portugal continua a ser um pa&iacute;s com grandes desigualdades. Este &eacute; o problema maior do nosso presente.
    </p><p class="article-text">
        A crise financeira de 2011-2014 foi dram&aacute;tica, tamb&eacute;m na nossa rela&ccedil;&atilde;o com a Europa. Mas a capacidade de resposta revelada a partir de 2015 tornou o pa&iacute;s mais coeso, evitou os extremismos e voltou a projectar-nos no mundo. Devemos evitar euforias e, mais ainda, uma vis&atilde;o &eacute;pica, como se tiv&eacute;ssemos uma miss&atilde;o redentora no mundo. Estas ilus&otilde;es terminaram sempre mal na nossa hist&oacute;ria. Mas isso n&atilde;o nos deve impedir de reconhecer o contributo que podemos, e devemos, dar no plano mundial, e no multilateralismo, devido &agrave;s caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias da nossa l&iacute;ngua e da nossa cultura. &ldquo;Para nascer, pouca terra; para morrer, toda a terra&rdquo; &ndash; assim se referiu o Padre Ant&oacute;nio Vieira aos portugueses, no s&eacute;culo XVII. E tinha raz&atilde;o.
    </p><h3 class="article-text">O recuo</h3><p class="article-text">
        Gostaria de ver Portugal ainda mais envolvido, no plano internacional, na agenda da paz e dos direitos. Temos condi&ccedil;&otilde;es para dar um importante contributo ao mundo, como bem se demonstra na ac&ccedil;&atilde;o do secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Ant&oacute;nio Guterres, e do director-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional das Migra&ccedil;&otilde;es, Ant&oacute;nio Vitorino, mas tamb&eacute;m dos directores-gerais da FAO e da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio, todos de l&iacute;ngua portuguesa.
    </p><p class="article-text">
        Em vez da &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o nos costumes&rdquo; assistimos, agora, a um recuo nos temas da diversidade, com o crescimento das ind&uacute;strias da cren&ccedil;a, f&aacute;bricas de fundamentalismos contra a raz&atilde;o e a ci&ecirc;ncia (a nega&ccedil;&atilde;o das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, a recusa das vacinas&hellip;). Precisamos, mais do que nunca, de uma ci&ecirc;ncia aberta, que promova o acesso livre ao conhecimento, a cultura cient&iacute;fica e uma maior liga&ccedil;&atilde;o entre os cidad&atilde;os e a ci&ecirc;ncia.
    </p><p class="article-text">
        Em vez da &ldquo;abertura ao mundo&rdquo; assistimos, agora, ao regresso dos nacionalismos, das identidades excessivas, por vezes mesmo obsessivas, &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de muros, &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o de &ldquo;comunidades&rdquo; onde ningu&eacute;m pode entrar e das quais ningu&eacute;m pode sair. Os problemas do mundo s&atilde;o globais, das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas &agrave;s migra&ccedil;&otilde;es ou aos desafios do digital. N&atilde;o os resolveremos com respostas locais ou nacionais. Precisamos, mais do que nunca, de um multilateralismo activo e diligente, centrado nos 17 objectivos do desenvolvimento sustent&aacute;vel.
    </p><h3 class="article-text">Refor&ccedil;ar a participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica</h3><p class="article-text">
        Em vez da &ldquo;democracia com direitos&rdquo; assistimos, agora, a um re cuo dos direitos humanos em muitas regi&otilde;es do mundo, com uma inaceit&aacute;vel concentra&ccedil;&atilde;o da riqueza, mais desigualdades e a precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho. Precisamos, mais do que nunca, de refor&ccedil;ar a participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, a presen&ccedil;a nos lugares de decis&atilde;o, das cidades &agrave;s inst&acirc;ncias internacionais. Para isso, temos de valorizar o comum, n&atilde;o no sentido identit&aacute;rio ou comunit&aacute;rio (aquilo que somos), mas na perspectiva de uma conversa e de uma ac&ccedil;&atilde;o em comum (aquilo que fazemos uns com os outros).
    </p><p class="article-text">
        Nestes tr&ecirc;s desafios est&atilde;o a educa&ccedil;&atilde;o e a ci&ecirc;ncia. Devemos educar, sempre, para a maior comunidade poss&iacute;vel, isto &eacute;, para a humanidade. Devemos sempre pensar a ci&ecirc;ncia como a melhor linguagem, talvez mesmo a &uacute;nica que nos resta, para construir a paz com os outros e com a terra.
    </p><p class="article-text">
        No dia em que conseguirmos escrever a Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Deveres Humanos, respondendo ao convite de Jos&eacute; Saramago, em 1998, teremos de come&ccedil;ar pela educa&ccedil;&atilde;o e pela ci&ecirc;ncia. Porque na educa&ccedil;&atilde;o se definem as desigualdades individuais e na ci&ecirc;ncia as desigualdades entre pa&iacute;ses e regi&otilde;es.
    </p><p class="article-text">
        Navigare necesse est &ndash; &Eacute; com esta velha m&aacute;xima latina, Navegar &eacute; preciso, que Stefan Zweig abre o seu livro sobre Fern&atilde;o de Magalh&atilde;es: &ldquo;Apenas enriquece a humanidade, de maneira duradoura, aquele que alarga os conhecimentos e refor&ccedil;a a consci&ecirc;ncia criadora&rdquo;.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        Vale a pena recordar a primeira viagem de circum-navega&ccedil;&atilde;o, iniciada h&aacute; precisamente 500 anos. Nessa &eacute;poca, Portugal teve um papel importante no primeiro processo de globaliza&ccedil;&atilde;o. Agora, tudo &eacute; muito diferente. E, no entanto, o mundo est&aacute; a chamar-nos a novas responsabilidades: pelo nosso lugar no mundo &ndash; entre o Norte e o Sul, entre a Europa e a Am&eacute;rica e &Aacute;frica; pela nossa l&iacute;ngua &ndash;a mais falada no hemisf&eacute;rio sul; at&eacute; pela nossa dimens&atilde;o, que nos coloca mais num lugar de media&ccedil;&atilde;o que de poder.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        N&atilde;o me interessa a equidist&acirc;ncia, mas sim o compromisso com os direitos humanos. Para isso, precisamos de independ&ecirc;ncia e de liberdade. E n&atilde;o o conseguiremos num mundo profundamente desigual, com a riqueza nas m&atilde;os de poucos e o poder dos dados (os famosos big data) nas m&atilde;os de ainda menos. Quero pensar Portugal como um pa&iacute;s que pode promover, no mundo, os des&iacute;gnios da gera&ccedil;&atilde;o de 1969.
    </p><p class="article-text">
        N&atilde;o podemos prever o futuro, mas podemos preparar-nos para um futuro que ainda n&atilde;o conhecemos. Preparar &eacute; educar, conhecer, criar, &eacute; cultivar o gosto pela liberdade, permitir que cada ser humano fa&ccedil;a o seu caminho. Sem partida n&atilde;o h&aacute; viagem. Agora, &eacute; a vez da gera&ccedil;&atilde;o de 2019, nascida nos primeiros anos do mil&eacute;nio. Pertence-lhes continuar. O nosso futuro &eacute; no mundo. Uma vez mais.
    </p>]]></description>
      <dc:creator><![CDATA[António Sampaio Da Nóvoa]]></dc:creator>
      <guid isPermaLink="true"><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/nosso-futuro-mundo_1_1181316.html]]></guid>
      <pubDate><![CDATA[Wed, 25 Dec 2019 20:16:38 +0000]]></pubDate>
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      <media:title><![CDATA[Nosso futuro está no mundo]]></media:title>
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      <media:keywords><![CDATA[Portugal,Revista Portugal]]></media:keywords>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Nuestro futuro está en el mundo]]></title>
      <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/futuro-mundo_1_1181358.html]]></link>
      <description><![CDATA[<p><img src="https://static.eldiario.es/clip/3dc3b3cc-5f1f-4d71-8001-0793935d158e_16-9-aspect-ratio_default_0.jpg" width="880" height="495" alt="Cais do Sodre (Lisboa) "></p><div class="subtitles"><p class="subtitle">La historia del país luso en los últimos cincuenta años está marcada por tres grandes transformaciones  que son la marca de una generación que ha sabido mantener un rumbo para el país</p><p class="subtitle">Destacan una revolución en las costumbres cn un cambio profundo en el rol de la mujer, la apertura al mundo y la construcción de una democracia con derechos</p></div><div class="list">
                    <ul>
                                    <li>Este art&iacute;culo pertenece a la revista <em>Portugal: la magia de lo improbable</em>, de eldiario.es. <a href="https://www.eldiario.es/internacional/Nosso-futuro-mundo_0_975353050.html" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Lee aqu&iacute; la versi&oacute;n en portugu&eacute;s</a>. <a href="https://usuarios.eldiario.es/?&amp;_ga=2.202743890.2142663424.1576481990-552936294.1573326272#!/hazte_socio" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Hazte socia ya y recibe nuestras revistas trimestrales en casa</a></li>
                            </ul>
            </div><p class="article-text">
        La historia puede comenzar antes o despu&eacute;s. Para hablar de Portugal, hoy, una buena posibilidad es retroceder 50 a&ntilde;os y trazar los caminos de la generaci&oacute;n que naci&oacute; para la libertad en las luchas estudiantiles de los a&ntilde;os 60, y que est&aacute; en el origen de tres grandes transformaciones de nuestro pa&iacute;s.
    </p><p class="article-text">
        Primero, una revoluci&oacute;n en las costumbres, con un profundo cambio en el lugar que ocupa la mujer y en las relaciones sociales, tambi&eacute;n con la emergencia de nuevas formas de familia y la diversidad sexual y de g&eacute;nero.
    </p><p class="article-text">
        Segundo, una apertura al mundo, con el fin del aislacionismo salazarista y del colonialismo, la adhesi&oacute;n a la Uni&oacute;n Europea y al multilateralismo, la afirmaci&oacute;n de una voluntad cosmopolita.
    </p><p class="article-text">
        Tercero, la construcci&oacute;n de una democracia con derechos, desde la participaci&oacute;n pol&iacute;tica hasta los derechos sociales. Como se cantaba en las calles en los tiempos de la revoluci&oacute;n de Abril: &ldquo;Solo hay libertad en serio cuando haya/La paz, el pan, vivienda, salud, educaci&oacute;n&rdquo;.
    </p><p class="article-text">
        Estas tres transformaciones son la marca de una generaci&oacute;n que, a partir de diferentes posiciones e ideolog&iacute;as, ha sabido mantener un rumbo para el pa&iacute;s. Portugal es, hoy, infinitamente mejor de lo que era en 1969.
    </p><p class="article-text">
        Dos l&iacute;neas atraviesan estos 50 a&ntilde;os: un esfuerzo continuado en las &aacute;reas de la educaci&oacute;n y de la ciencia. En 1969, la escuela p&uacute;blica era mediocre, una de las peores de Europa. Hoy, nos enorgullecemos de la escuela que hemos sido capaces de construir gracias a un trabajo colectivo de todos. En 1969, las universidades eran incipientes y pr&aacute;cticamente no hab&iacute;a ciencia. Hoy, nuestros j&oacute;venes tienen buenas calificaciones acad&eacute;micas y nuestros cient&iacute;ficos est&aacute;n en muchos lugares del mundo, y tambi&eacute;n en excelentes instituciones en Portugal.
    </p><h3 class="article-text">Un pa&iacute;s de grandes desigualdades</h3><p class="article-text">
        La educaci&oacute;n y la ciencia son las dos grandes fronteras de la libertad. Pero Portugal ha conocido, tambi&eacute;n, avances constantes en salud (una de las menores tasas de mortalidad infantil del mundo), en medio ambiente, en el mar (con la ampliaci&oacute;n de la plataforma continental: el 97% de Portugal ser&aacute; mar y solo un 3% tierra), en las ciudades, en seguridad y hasta en solidaridad, sobre todo intergeneracional. Pero han sido dif&iacute;ciles temas como la econom&iacute;a, el empleo (la precariedad es el gran riesgo para los j&oacute;venes) y la justicia. Y Portugal contin&uacute;a siendo un pa&iacute;s con grandes desigualdades. Este es el mayor problema de nuestro presente.
    </p><p class="article-text">
        La crisis financiera de 2011-2014 fue dram&aacute;tica, tambi&eacute;n para nuestra relaci&oacute;n con Europa. Pero la capacidad de respuesta mostrada a partir de 2015 hizo que el pa&iacute;s se hiciese m&aacute;s cohesionado, evit&oacute; los extremismos y volvi&oacute; a proyectarnos en el mundo. Debemos evitar euforias y, m&aacute;s a&uacute;n, una visi&oacute;n &eacute;pica, como si tuvi&eacute;semos una misi&oacute;n redentora en el mundo. Estas ilusiones siempre han terminado mal en nuestra historia. Pero eso no nos debe impedir reconocer la contribuci&oacute;n que podemos, y debemos, hacer en el plano mundial, y en el multilateralismo, debido a las caracter&iacute;sticas propias de nuestra lengua y de nuestra cultura. &ldquo;Para nacer, poca tierra; para morir, toda la tierra&rdquo;. As&iacute; se refiri&oacute; el Padre Ant&oacute;nio Vieira a los portugueses en el siglo XVII. Y ten&iacute;a raz&oacute;n.&nbsp;
    </p><h3 class="article-text">El retroceso</h3><p class="article-text">
        Me gustar&iacute;a ver a Portugal todav&iacute;a m&aacute;s implicado, en el plano internacional, en la agenda de la paz y de los derechos. Tenemos condiciones para hacer una importante aportaci&oacute;n al mundo, como se demuestra en la actividad del secretario general de Naciones Unidas, Ant&oacute;nio Guterres, y del director general de la Organizaci&oacute;n Internacional de las Migraciones, Ant&oacute;nio Vitorino, pero tambi&eacute;n de los directores generales de la FAO y de la Organizaci&oacute;n Mundial del Comercio, todos de lengua portuguesa.
    </p><p class="article-text">
        Los tres movimientos que han marcado a la generaci&oacute;n de 1969 est&aacute;n hoy en retroceso y definen las luchas que nos esperan. Es cierto que estas tendencias est&aacute;n m&aacute;s presentes en otros pa&iacute;ses que en Portugal. Pero ser&iacute;a ceguera ignorar su impacto en todo el mundo.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        En vez de la revoluci&oacute;n de las costumbres, asistimos ahora a un retroceso en los temas de la diversidad, con el crecimiento de la industria de las creencias, f&aacute;bricas de fundamentalismos contra la raz&oacute;n y la ciencia (la negaci&oacute;n del cambio clim&aacute;tico, el rechazo a las vacunas&hellip;). Necesitamos, m&aacute;s que nunca, una ciencia abierta, que fomente el acceso libre al conocimiento, la cultura cient&iacute;fica y una mayor relaci&oacute;n entre los ciudadanos y la ciencia.&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        En vez de apertura al mundo, asistimos ahora al regreso de los nacionalismos, a las identidades excesivas, a veces incluso obsesivas, a la construcci&oacute;n de muros, a la valorizaci&oacute;n de &ldquo;comunidades&rdquo; donde nadie puede entrar y de las que nadie puede salir. Los problemas del mundo son globales, desde el cambio clim&aacute;tico a las migraciones o los desaf&iacute;os digitales. No los resolveremos con respuestas locales o nacionales. Necesitamos, m&aacute;s que nunca, un multilateralismo activo y diligente, centrado en los 17 objetivos de desarrollo sostenible.
    </p><h3 class="article-text">Reforzar la participaci&oacute;n democr&aacute;tica</h3><p class="article-text">
        En vez de democracia con derechos asistimos ahora a un retroceso de los derechos humanos en muchas regiones del mundo, con una inaceptable concentraci&oacute;n de la riqueza, m&aacute;s desigualdades y la precarizaci&oacute;n del trabajo. Necesitamos, m&aacute;s que nunca, reforzar la participaci&oacute;n democr&aacute;tica, la presencia en los lugares de decisi&oacute;n, de las ciudades a las instancias internacionales. Para ello, debemos valorar lo com&uacute;n, no en el sentido identitario o comunitario (aquello que somos), sino desde la perspectiva de una conversaci&oacute;n y de una acci&oacute;n en com&uacute;n (aquello que hacemos unos con los otros).&nbsp;
    </p><p class="article-text">
        En estos tres desaf&iacute;os est&aacute;n la educaci&oacute;n y la ciencia. Debemos educar, siempre, para la mayor comunidad posible; es decir, para la Humanidad. Debemos siempre pensar en la ciencia como el mejor lenguaje, quiz&aacute;s incluso el &uacute;nico que nos queda, para construir la paz con los otros y con la tierra.
    </p><p class="article-text">
        El d&iacute;a en que consigamos escribir la Declaraci&oacute;n Universal de los Deberes Humanos, respondiendo a la invitaci&oacute;n de Jos&eacute; Saramago en 1998, tendremos que comenzar por la educaci&oacute;n y la ciencia. Porque en la educaci&oacute;n se definen las desigualdades individuales y en la ciencia las desigualdades entre pa&iacute;ses y regiones.
    </p><p class="article-text">
        <em>Navigare necesse est</em>. Con esta vieja m&aacute;xima latina, Navegar es necesario, Stefan Zweig abre su libro sobre Fernando de Magallanes: &ldquo;Solo enriquece la humanidad, de manera duradera, aquel que ampl&iacute;a los conocimientos y refuerza la conciencia creadora&rdquo;.
    </p><p class="article-text">
        Vale la pena recordar el primer viaje de circunnavegaci&oacute;n, que comenz&oacute; precisamente hace 500 a&ntilde;os. En esa &eacute;poca, Portugal tuvo un papel importante en el primer proceso de globalizaci&oacute;n. Ahora, todo es muy diferente. Y, sin embargo, el mundo nos est&aacute; llamando para nuevas responsabilidades: por nuestro lugar en el mundo, entre el norte y el sur, entre Europa, Am&eacute;rica y &Aacute;frica; por nuestra lengua, la m&aacute;s hablada del hemisferio sur; incluso por nuestra dimensi&oacute;n, que nos sit&uacute;a en un lugar de mediaci&oacute;n m&aacute;s que de poder.
    </p><p class="article-text">
        No me interesa la equidistancia, sino el compromiso con los derechos humanos. Para ello necesitamos independencia y libertad. Y no lo conseguiremos en un mundo profundamente desigual, con la riqueza en manos de unos pocos y el poder de los datos (el famoso big data) en manos de a&uacute;n menos. Quiero pensar en Portugal como un pa&iacute;s que puede fomentar, en el mundo, los designios de la generaci&oacute;n de 1969.
    </p><p class="article-text">
        No podemos prever el futuro, pero podemos prepararnos para un futuro que todav&iacute;a no conocemos. Preparar es educar, conocer, crear, es cultivar el gusto por la libertad, permitir que cada ser humano recorra su camino. Sin partida no hay viaje. Ahora es el turno de la generaci&oacute;n de 2019, nacida en los primeros a&ntilde;os del milenio. Les toca a ellos continuar. Nuestro futuro est&aacute; en el mundo. Una vez m&aacute;s.
    </p><p class="article-text">
        Traducci&oacute;n: Eduardo L&oacute;pez-Jamar
    </p>]]></description>
      <dc:creator><![CDATA[António Sampaio Da Nóvoa]]></dc:creator>
      <guid isPermaLink="true"><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/futuro-mundo_1_1181358.html]]></guid>
      <pubDate><![CDATA[Wed, 25 Dec 2019 18:54:53 +0000]]></pubDate>
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