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    <title><![CDATA[elDiario.es - Boaventura de Sousa Santos]]></title>
    <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/autores/boaventura-de-sousa-santos/]]></link>
    <description><![CDATA[elDiario.es - Boaventura de Sousa Santos]]></description>
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    <copyright><![CDATA[Copyright El Diario]]></copyright>
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      <title><![CDATA[Portugal é um mar que deu à costa]]></title>
      <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/portugal-um-mar-deu-costa_1_1181905.html]]></link>
      <description><![CDATA[<p><img src="https://static.eldiario.es/clip/9f85107a-fbd9-47e0-865b-1d771a59d251_16-9-aspect-ratio_default_0.jpg" width="880" height="495" alt="Patricia Bolinches "></p><div class="subtitles"><p class="subtitle">Por que o país se aventurou no colonialismo se tais benefícios incertos ofereceram e não serviram para monenizar o país? Você ainda aflige esse fracasso com os portugueses ou alivia sua culpa colonial?</p></div><div class="list">
                    <ul>
                                    <li>Este artigo pertence &agrave; revista Portugal: a magia do improv&aacute;vel, de eldiario.es. <a href="https://www.eldiario.es/internacional/Portugal-mar-naufrago_0_975702682.html" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Leia a vers&atilde;o em Castelhano aqui</a>. <a href="https://usuarios.eldiario.es/?&amp;_ga=2.202743890.2142663424.1576481990-552936294.1573326272#!/hazte_socio" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Torne-se um membro agora e receba nossas revistas trimestrais em casa</a></li>
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        No volume III do Capital, Karl Marx (desculpem a refer&ecirc;ncia ao cl&aacute;ssico, mas s&oacute; os distra&iacute;dos e os ignorantes pensam que os cl&aacute;ssicos desaparecem facilmente) argumenta que o colonialismo teve um papel importante no desenvolvimento do capitalismo, um papel que s&oacute; p&ocirc;de dar todos os seus frutos nos pa&iacute;ses que tinham criado anteriormente outras condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis. N&atilde;o era o caso de Espanha nem de Portugal, e por isso eles n&atilde;o puderam modernizar-se com &ecirc;xito. E conclui: &ldquo;Compare-se a Holanda com Portugal, por exemplo&rdquo;.
    </p><p class="article-text">
        Quaisquer que sejam os argumentos a favor e contra esta leitura, a verdade &eacute; que Portugal n&atilde;o se aproveitou da expans&atilde;o colonial para se modernizar e, de facto, o grande quinh&atilde;o da pilhagem das riquezas das col&oacute;nias foi parar a outros bolsos europeus. N&atilde;o me interessa investigar as raz&otilde;es da perda fatal dessa oportunidade hist&oacute;rica. Mas intrigam-me duas coisas: porque se aventuraram os portugueses a tal empresa sabendo que os benef&iacute;cios eram t&atilde;o incertos? Continuar&aacute; esse fracasso a assombrar ainda hoje os portugueses ou, pelo contr&aacute;rio, confere &agrave; sua culpa colonial uma leveza quase indecorosa?
    </p><p class="article-text">
        Quanto &agrave; primeira pergunta, os portugueses foram frequentemente postos na situa&ccedil;&atilde;o de serem percursores do que n&atilde;o se segue. A fulgurante ilumina&ccedil;&atilde;o dos in&iacute;cios, dos prim&oacute;rdios, do curto-prazo cegou-os frequentemente para as consequ&ecirc;ncias e os desenvolvimentos de longo prazo, sobretudo porque lhes faltaram os c&aacute;lculos e um corpo forte de comerciantes, de que se auto-privaram com a expuls&atilde;o dos judeus. Portugal foi um pa&iacute;s perif&eacute;rico antes de haver um centro europeu consolidado. Os Portuguese constru&iacute;ram a jangada de pedra s&eacute;culos antes de o arque&oacute;logo da alma colectiva, Jos&eacute; Saramago, a ter descoberto nos escombros da na&ccedil;&atilde;o. Anteviam que o s&eacute;culo XIX, arrogantemente capitalista, os viria a considerar como n&atilde;o verdadeiramente europeus, nem sequer verdadeiramente brancos, sorte que partilharam com espanh&oacute;is e irlandeses, apesar de serem senhores de um vasto imp&eacute;rio colonial. A voca&ccedil;&atilde;o do seu imp&eacute;rio era ser subalterno, e assim foi durante grande parte da sua exist&ecirc;ncia. O que de mais precioso passou pelo porto de Lisboa (ouro) seguiu a maior parte das vezes para outras paragens, para a Inglaterra, por exemplo. O que ficou foi o que deu &agrave; costa ou foi descarregado no porto por ser internacionalmente menos valioso do ponto de vista da lei do valor capitalista. Mas como o capital &eacute; estupidamente reducionista, foi imenso o que ficou &ndash; o artesanato intercultural de vidas, culturas, gostos, falares, que passou a circular na sociedade portuguesa e a reproduzir-se com insond&aacute;vel criatividade at&eacute; hoje. A prop&oacute;sito, h&aacute; algum outro pa&iacute;s europeu onde o primeiro-ministro--um dos mais brilhantes da Uni&atilde;o Europeia-- tenha t&atilde;o abundante sangue asi&aacute;tico? Abundou o que n&atilde;o interessava ao capital, mas enriqueceu a cultura, mesti&ccedil;ou gentes e paladares, gerou a saudade de ter estado em casa em tantos lugares fora de casa, de estar sempre a ir e voltar sem se levantar do sof&aacute; da sala. Enquanto outros pa&iacute;ses se dilaceraram em distin&ccedil;&otilde;es entre campo e cidade, entre religi&atilde;o A e religi&atilde;o B, entre l&iacute;ngua C e l&iacute;ngua D, Portugal ficou para sempre entre o mar e a terra. At&eacute; hoje. Um pa&iacute;s de costas para o mais &uacute;til porque o infinito do mar &eacute; mais sedutor.
    </p><p class="article-text">
        Quanto &agrave; segunda pergunta, a culpa colonial foge a todos os determinismos hist&oacute;ricos porque n&atilde;o foi o colonialismo que contribuiu para modernizar Portugal, foi antes o fim do colonialismo. A Revolu&ccedil;&atilde;o do 25 de Abril de 1974 foi o resultado do colonialismo virado do avesso, duplamente anti-colonial, porque libertou tanto o colonizado como o colonizador. Mas, por essa raz&atilde;o, s&oacute; em pequena parte foi obra dos portugueses. A maior parte dessa obra deve-se ao sacrif&iacute;cio heroico dos povos em luta contra o colonialismo portugu&ecirc;s, muitas vezes com armas na m&atilde;o, pelo menos desde 1961, arriscando massacres e destrui&ccedil;&otilde;es por mensagens de chumbo e de napalm. &Eacute; o mais fenomenal caso de mesti&ccedil;agem libertadora pois, sem a luta heroica dos libertadores das col&oacute;nias, talvez os portugueses n&atilde;o tivessem conseguido libertar-se com tanto radicalismo do ditador do atraso. A compara&ccedil;&atilde;o com a transi&ccedil;&atilde;o na vizinha Espanha a partir de 1976 &eacute; inescap&aacute;vel.
    </p><p class="article-text">
        O fim duplo do colonialismo era radical porque ditava n&atilde;o s&oacute; o fim do colonialismo mas tamb&eacute;m o fim do pr&oacute;prio capitalismo, o qual, nos imp&eacute;rios dominantes, se nutrira ao longo dos s&eacute;culos do colonialismo por via da pilhagem das riquezas naturais e humanas (da escravatura &agrave; mesti&ccedil;agem por viola&ccedil;&atilde;o de mulheres nativas). Os pa&iacute;ses que se libertaram do colonialismo portugu&ecirc;s optaram sem excep&ccedil;&atilde;o pela via do socialismo para o desenvolvimento, caso &uacute;nico nunca visto na hist&oacute;ria das descoloniza&ccedil;&otilde;es das col&oacute;nias europeias. Por sua vez, logo que acordaram da confus&atilde;o de despertar num lugar t&atilde;o diferente daquele em que tinham adormecido, os portugueses da Revolu&ccedil;&atilde;o do Cravos rumaram para a revolu&ccedil;&atilde;o socialista com o mesmo voluntarismo e desafiando as mesmas leis deterministas com que se tinham embrenhado nos oceanos ignorados. Foi, no entanto, um radicalismo t&atilde;o real quanto ilus&oacute;rio. O capitalismo de outrora, caseiro e raqu&iacute;tico, soubera entretanto globalizar-se e fortalecer-se com os parentes dominantes da partilha do mundo, dotados de instrumentos t&atilde;o mort&iacute;feros como o FMI e a chamada guerra fria. As ex-col&oacute;nias foram uma a uma sendo disciplinadas sob pena de castigos abissais, e Portugal, doze anos depois da Revolu&ccedil;&atilde;o, acolheu-se ao capitalismo dos ricos &ndash; a Uni&atilde;o Europeia &ndash; na esperan&ccedil;a de buscar a&iacute; um substituto do El Dorado que em v&atilde;o tinha imaginado s&eacute;culos atr&aacute;s com a aventura colonial. Mas tal como antes, essa busca ficou muito aqu&eacute;m das expectativas. Aos portugueses, que se criam e queriam ser finalmente brancos, iguais aos europeus de sempre, foi reservado um canto da sala menos iluminado, onde as cores se confundem e o mau aluno permanece, por melhor aluno que seja. Uma escola para deficientes tende a ser uma escola deficiente. A Europa transformou-se num imenso mar seco e o que deu &agrave; costa foi muito e muito bom, mas sob condi&ccedil;&atilde;o de Portugal n&atilde;o sair donde estava.
    </p><p class="article-text">
        Ao contr&aacute;rio do que se pensa comummente, o fado n&atilde;o &eacute; express&atilde;o da submiss&atilde;o dos portugueses ao destino e ao determinismo. &Eacute; antes a express&atilde;o da fuga sempre tentada e sempre frustrada a esse destino e a esse determinismo. Nisto reside o optimismo tr&aacute;gico dos portugueses.
    </p>]]></description>
      <dc:creator><![CDATA[Boaventura de Sousa Santos]]></dc:creator>
      <guid isPermaLink="true"><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/portugal-um-mar-deu-costa_1_1181905.html]]></guid>
      <pubDate><![CDATA[Sun, 29 Dec 2019 21:33:05 +0000]]></pubDate>
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      <media:title><![CDATA[Portugal é um mar que deu à costa]]></media:title>
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      <media:keywords><![CDATA[Colonialismo,Portugal,Revista Portugal]]></media:keywords>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[Portugal es un mar que naufragó]]></title>
      <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/portugal-mar-naufrago_1_1181662.html]]></link>
      <description><![CDATA[<p><img src="https://static.eldiario.es/clip/9f85107a-fbd9-47e0-865b-1d771a59d251_16-9-aspect-ratio_default_0.jpg" width="880" height="495" alt="Patricia Bolinches "></p><div class="subtitles"><p class="subtitle">¿Por qué se aventuró el país en el colonialismo si tan inciertos beneficios ofrecía y no sirvió para modernizar el país? ¿Aflige aún ese fracaso a los portugueses o aligera su culpa colonial?</p></div><div class="list">
                    <ul>
                                    <li>Este art&iacute;culo pertenece a la revista Portugal: la magia de lo improbable, de eldiario.es. <a href="https://www.eldiario.es/internacional/Portugal-um-mar-deu-costa_0_975702623.html" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Lee aqu&iacute; la versi&oacute;n en portugu&eacute;s</a>. <a href="https://usuarios.eldiario.es/?_ga=2.160410366.2142663424.1576481990-552936294.1573326272#!/hazte_socio" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Hazte socia ya y recibe nuestras revistas trimestrales en casa</a></li>
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                </figure><p class="article-text">
        En el volumen III de Capital, Karl Marx (disculpen la referencia al cl&aacute;sico, pero solo los despistados y los ignorantes piensan que los cl&aacute;sicos desaparecen f&aacute;cilmente), argumenta que el colonialismo tuvo un papel importante en el desarrollo del capitalismo, un papel que solo pudo dar todos sus frutos en los pa&iacute;ses que hab&iacute;an creado anteriormente otras condiciones favorables. No era el caso de Espa&ntilde;a ni de Portugal, y por eso no pudieron modernizarse con &eacute;xito. Y concluye: &ldquo;Comparemos Holanda con Portugal, por ejemplo&rdquo;.
    </p><p class="article-text">
        Cualesquiera que sean los argumentos a favor y en contra de esta lectura, la verdad es que Portugal no se aprovech&oacute; de la expansi&oacute;n colonial para modernizarse y, de hecho, la gran parte del pillaje de las riquezas de las colonias fue a parar a otros bolsillos europeos. No me interesa investigar las razones de la p&eacute;rdida fatal de esa oportunidad hist&oacute;rica. Pero me intrigan dos cosas: &iquest;por qu&eacute; se aventuraron los portugueses a semejante empresa sabiendo que los beneficios eran tan inciertos? &iquest;Continuar&aacute; ese fracaso afligiendo todav&iacute;a hoy a los portugueses o, al contrario, confiere a su culpa colonial una ligereza casi indecorosa?
    </p><p class="article-text">
        En cuanto a la primera pregunta, los portugueses han sido frecuentemente puestos en la tesitura de ser precursores de lo que no contin&uacute;a. La fulgurante iluminaci&oacute;n de los comienzos, de los or&iacute;genes, del corto plazo les ha cegado frecuentemente para las consecuencias y los desarrollos a largo plazo, sobre todo porque les han faltado los c&aacute;lculos y un cuerpo fuerte de comerciantes, de los que se privaron a s&iacute; mismos con la expulsi&oacute;n de los jud&iacute;os. Portugal fue un pa&iacute;s perif&eacute;rico antes de haber un centro europeo consolidado. Los portugueses construyeron la balsa de piedra siglos antes de que el arque&oacute;logo del alma colectiva, Jos&eacute; Saramago, la hubiese descubierto entre los escombros de la naci&oacute;n. Preve&iacute;an que el siglo XIX, arrogantemente capitalista, los vendr&iacute;a a considerar como no verdaderamente europeos, ni siquiera verdaderamente blancos, suerte que compartieron con espa&ntilde;oles e irlandeses, a pesar de ser se&ntilde;ores de un vasto imperio colonial. La vocaci&oacute;n de su imperio era ser subalterno, y as&iacute; fue durante gran parte de su existencia. Lo m&aacute;s precioso que pas&oacute; por el puerto de Lisboa (oro) sigui&oacute;, la mayor parte de las veces, hacia otros fondeaderos; hacia Inglaterra, por ejemplo. Lo que qued&oacute; fue lo que naufrag&oacute; o fue descargado en el puerto por ser internacionalmente menos valioso desde el punto de vista de la ley del valor capitalista. Pero como el capital es enormemente reduccionista, fue mucho lo que qued&oacute;: la artesan&iacute;a intercultural de vidas, culturas, gustos, hablares, que pas&oacute; a circular por la sociedad portuguesa y a reproducirse con insondable creatividad hasta hoy. A prop&oacute;sito, &iquest;hay alg&uacute;n otro pa&iacute;s europeo donde el primer ministro &ndash;uno de los m&aacute;s brillantes de la Uni&oacute;n Europea&ndash; tenga tan abundante sangre asi&aacute;tica? Afluy&oacute; lo que no interesaba al capital, pero enriqueci&oacute; la cultura, mestiz&oacute; gentes y paladares, gener&oacute; la saudade de haber estado en casa en tantos lugares fuera de casa, de estar siempre yendo y viniendo sin levantarse del sof&aacute; del sal&oacute;n. Mientras otros pa&iacute;ses se atormentaban en distinciones entre campo y ciudad, entre religi&oacute;n A y religi&oacute;n B, entre lengua C y lengua D, Portugal se qued&oacute; para siempre entre el mar y la tierra. Hasta hoy. Un pa&iacute;s de espaldas a lo m&aacute;s &uacute;til porque el infinito del mar es m&aacute;s seductor.
    </p><p class="article-text">
        En cuanto a la segunda pregunta, la culpa colonial huye de todos los determinismos hist&oacute;ricos porque no fue el colonialismo el que contribuy&oacute; a modernizar Portugal, el fin del colonialismo fue anterior. La Revoluci&oacute;n del 25 de Abril de 1974 fue el resultado del colonialismo del rev&eacute;s, doblemente anticolonial, porque liber&oacute; tanto al colonizado como al colonizador. Pero, por esa raz&oacute;n, solo en peque&ntilde;a medida fue obra de los portugueses. La mayor parte de esa obra se debe al sacrificio heroico de los pueblos en lucha contra el colonialismo portugu&eacute;s, muchas veces levantados en armas, por lo menos desde 1961, arriesg&aacute;ndose a masacres y destrucciones mediante mensajes de plomo y de napalm. Es el m&aacute;s fabuloso caso de mestizaje liberador ya que, sin la lucha heroica de los liberadores de las colonias, tal vez los portugueses no hubiesen conseguido liberarse con tanto radicalismo del dictador del atraso. La comparaci&oacute;n con la transici&oacute;n de la vecina Espa&ntilde;a a partir de 1976 es ineludible.
    </p><p class="article-text">
        El doble fin del colonialismo era radical porque dictaba no solo el fin del colonialismo, sino tambi&eacute;n el fin del propio capitalismo que, en los imperios dominantes, se hab&iacute;a nutrido a lo largo de los siglos del colonialismo mediante el pillaje de las riquezas naturales y humanas (de la esclavitud al mestizaje por la violaci&oacute;n de las mujeres nativas). Los pa&iacute;ses que se liberaron del colonialismo portugu&eacute;s optaron sin excepci&oacute;n por la v&iacute;a del socialismo para su desarrollo, un caso &uacute;nico nunca visto en la historia de las descolonizaciones de las colonias europeas. A su vez, tras despabilarse de la confusi&oacute;n de despertar en un lugar tan diferente de aquel en el que se hab&iacute;an adormecido, los portugueses de la Revoluci&oacute;n de los Claveles tomaron el rumbo hacia la revoluci&oacute;n socialista con el mismo voluntarismo y desafiando a las mismas leyes deterministas con las que se hab&iacute;an internado en los oc&eacute;anos ignotos. Fue, sin embargo, un radicalismo tan real como ilusorio. El capitalismo de otros tiempos, casero y raqu&iacute;tico, supo al mismo tiempo globalizarse y fortalecerse con los parientes que dominaron el reparto del mundo, dotados de instrumentos tan mort&iacute;feros como el FMI y la llamada guerra fr&iacute;a. Las ex colonias fueron disciplinadas una a una bajo pena de castigos aterradores, y Portugal, doce a&ntilde;os despu&eacute;s de la Revoluci&oacute;n, se acogi&oacute; al capitalismo de los ricos &ndash;la Uni&oacute;n Europea&ndash; con la esperanza de encontrar un sustituto de El Dorado que en vano hab&iacute;a imaginado siglos atr&aacute;s con la aventura colonial. Pero, como antes, esa b&uacute;squeda no cumpli&oacute; con las expectativas. A los portugueses, que se cre&iacute;an y quer&iacute;an ser finalmente blancos, iguales a los europeos de siempre, les fue reservado un rinc&oacute;n en el aula menos iluminado, donde los colores se confunden y el mal alumno permanece, por muy buen alumno que sea. Un colegio para deficientes tiende a ser un colegio deficiente. Europa se transform&oacute; en un inmenso mar seco y lo que llegaba a la costa fue mucho y muy bueno, pero bajo la condici&oacute;n de que Portugal no saliese de donde se encontraba.
    </p><p class="article-text">
        Al contrario de lo que se piensa com&uacute;nmente, el fado no es expresi&oacute;n de la sumisi&oacute;n de los portugueses al destino y al determinismo. Es, por encima, la expresi&oacute;n de fuga siempre intentada y siempre frustrada a ese destino y a ese determinismo. En esto reside el optimismo tr&aacute;gico de los portugueses.
    </p><p class="article-text">
        <em>Traducci&oacute;n: Eduardo L&oacute;pez-Jamar</em>
    </p>]]></description>
      <dc:creator><![CDATA[Boaventura de Sousa Santos]]></dc:creator>
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      <pubDate><![CDATA[Sun, 29 Dec 2019 20:20:46 +0000]]></pubDate>
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      <media:title><![CDATA[Portugal es un mar que naufragó]]></media:title>
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