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    <title><![CDATA[elDiario.es - Daniel Oliveira]]></title>
    <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/autores/daniel-oliveira/]]></link>
    <description><![CDATA[elDiario.es - Daniel Oliveira]]></description>
    <language><![CDATA[es]]></language>
    <copyright><![CDATA[Copyright El Diario]]></copyright>
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      <title><![CDATA[Não houve um milagre, houve a vitória possível]]></title>
      <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/nao-houve-milagre-vitoria-possivel_1_1180985.html]]></link>
      <description><![CDATA[<p><img src="https://static.eldiario.es/clip/6402541a-be1f-4ee4-ba97-60ef72fae9f3_16-9-aspect-ratio_default_0.jpg" width="880" height="495" alt="Deputados do &#039;Jerigonza&#039; (socialistas, Bloco, comunistas) aplaudem Antonio Costa no Parlamento Português"></p><div class="subtitles"><p class="subtitle">A lista de conquistas nestes quatro anos é notável: aumento de pensões, textos escolares gratuitos, redução de propinas, reversão de cortes e dia de 35 horas na administração</p></div><div class="list">
                    <ul>
                                    <li>Este artigo pertence &agrave; revista Portugal: a magia do improv&aacute;vel, de eldiario.es e est&aacute; escrito antes das &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es nas quais o PS conquistou a vit&oacute;ria.&nbsp;<a href="https://www.eldiario.es/internacional/milagro-victoria-posible_0_975702806.html" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Leia a vers&atilde;o em Castelhano aqui</a>.&nbsp;<a href="https://usuarios.eldiario.es/?&amp;_ga=2.234678109.2142663424.1576481990-552936294.1573326272#!/hazte_socio" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Torne-se um membro agora e receba nossas revistas trimestrais em casa</a></li>
                            </ul>
            </div><p class="article-text">
        Quando o colunista conservador Vasco Pulido Valente usou pela primeira vez a express&atilde;o &ldquo;<em>geringon&ccedil;a</em>&rdquo; ainda o atual primeiro-ministro portugu&ecirc;s, Ant&oacute;nio Costa, estava a concorrer &agrave;s prim&aacute;rias do Partido Socialista (PS) para derrubar o an&oacute;dino Ant&oacute;nio Jos&eacute; Seguro. Meses mais tarde, Paulo Portas, ainda l&iacute;der do CDS (direita), recuperou a palavra para caracterizar o novo governo de esquerda. O governo que tinha, de facto, uma forma estranha. Era do PS, que tinha ficado em segundo nas elei&ccedil;&otilde;es, mas apoiado pelo Bloco de Esquerda (BE, aliado do Podemos) e pelo Partido Comunista Portugu&ecirc;s (PCP). Era a primeira vez, na democracia portuguesa, que um partido que n&atilde;o tinha vencido as elei&ccedil;&otilde;es liderava um governo. Mas tamb&eacute;m era a primeira vez a esquerda tinha maioria sem que o PS tivesse ficado em primeiro. A palavra &ldquo;<em>geringon&ccedil;a</em>&rdquo; acabou por ser adotada pela esquerda. N&atilde;o era um governo de coliga&ccedil;&atilde;o &ndash; PCP e BE n&atilde;o entraram no governo &ndash; e n&atilde;o se podia falar de um entendimento parlamentar &ndash; as m&aacute;s rela&ccedil;&otilde;es entre o PCP e o BE n&atilde;o permitiram um acordo conjunto e cada partido assinou o seu com os socialistas. &ldquo;<em>Geringon&ccedil;a</em>&rdquo; abreviava o que seria imposs&iacute;vel de explicar.
    </p><p class="article-text">
        Desde a revolu&ccedil;&atilde;o de 1974, nunca a esquerda se tinha entendido para governar. Houve um ou outro apoio conjunto a candidatos &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es para Presidente da Rep&uacute;blica, uma ou outra coliga&ccedil;&atilde;o em autarquias. E mesmo isso, pouco. A grande clivagem, no nascimento da democracia portuguesa, fez-se entre socialistas e comunistas. Ela, mais do que a divis&atilde;o entre a esquerda e a direita, &eacute; fundadora do regime. Ultrapass&aacute;-la era de uma dificuldade extrema. S&oacute; condi&ccedil;&otilde;es extraordin&aacute;rias poderiam ter levado a este passo hist&oacute;rico que, at&eacute; as negocia&ccedil;&otilde;es terminarem, foi dado como improv&aacute;vel pela comunica&ccedil;&atilde;o social.
    </p><p class="article-text">
        No entanto, este entendimento estava escrito nas entrelinhas da campanha eleitoral. PS, PCP e BE sentiram, nas ruas, a press&atilde;o dos eleitores para que se entendessem. Nem mais um dia com Passos Coelho, primeiro-ministro de direita que prometeu ir al&eacute;m da troika, diziam os eleitores de esquerda aos seus candidatos. Todos sentiram que n&atilde;o seriam perdoados se as tradicionais disputas &agrave; esquerda impedissem uma solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica alternativa. No fim de um debate entre Catarina Martins, l&iacute;der do Bloco de Esquerda, e Ant&oacute;nio Costa, l&iacute;der do Partido Socialista, a primeira deixou quatro condi&ccedil;&otilde;es para participar num governo. Quase todas atend&iacute;veis. No congresso do Partido Socialista, ainda antes da campanha, foi o pr&oacute;prio Ant&oacute;nio Costa que defendeu que o &ldquo;arco da governa&ccedil;&atilde;o&rdquo; n&atilde;o podia continuar fechado aos partidos &agrave; sua esquerda.
    </p><p class="article-text">
        Mas s&oacute; na noite eleitoral se percebeu que desta vez podia ser a s&eacute;rio. A coliga&ccedil;&atilde;o de direita tinha ficado em primeiro, com 38,5%. Claro que isso acontecia porque concorreram coligados enquanto a esquerda, que somada teve 51% dos votos e 122 dos 230 deputados, concorrera separada. Nessa noite, a comunica&ccedil;&atilde;o social e os l&iacute;deres da direita, seguindo a tradi&ccedil;&atilde;o de sempre, deram como certa a continua&ccedil;&atilde;o de Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro. S&oacute; que, perante o resultado, Jer&oacute;nimo de Sousa, l&iacute;der dos comunistas, disse a frase que marcou a futuro: &ldquo;O PS s&oacute; n&atilde;o forma governo se n&atilde;o quiser&rdquo;. Come&ccedil;ava a nascer a &ldquo;<em>geringon&ccedil;a</em>&rdquo;.
    </p><p class="article-text">
        S&oacute; uma conjuga&ccedil;&atilde;o &uacute;nica dos astros permitiria esta solu&ccedil;&atilde;o: um povo massacrado pela austeridade e intolerante perante a possibilidade de mais desencontros &agrave; esquerda, um PS com a possibilidade de governar mas enfraquecido por n&atilde;o ter ficado em primeiro, um l&iacute;der socialista que precisava de chegar imediatamente ao poder, a dire&ccedil;&atilde;o do PCP pressionada por sindicalistas e autarcas para n&atilde;o permitir que a ofensiva social e de austeridade continuasse e o facto deste entendimento s&oacute; ser aritmeticamente poss&iacute;vel se PCP e BE entrassem simultaneamente na solu&ccedil;&atilde;o. Se chegasse um deles teria havido um impasse.
    </p><h3 class="article-text">Aproveitar a oportunidade</h3><p class="article-text">
        Como se explica que a direita tenha conseguido, depois das brutais doses de austeridade que ministrou ao pa&iacute;s, ter 38%? Foi poss&iacute;vel porque a recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica come&ccedil;ou logo em 2014, ainda Passos Coelho era primeiro-ministro. E come&ccedil;ou como efeito da recupera&ccedil;&atilde;o europeia e do crescimento do turismo. Este &eacute; o primeiro mito que &eacute; necess&aacute;rio desfazer para compreender a situa&ccedil;&atilde;o portuguesa: que foi a esquerda que recuperou, por si s&oacute;, a economia. Diz&ecirc;-lo &eacute; repetir um erro que destruiu o PS quando a crise rebentou &ndash; foi responsabilizado, sem ter em conta a situa&ccedil;&atilde;o externa, pela bancarrota nacional. N&atilde;o foi Jos&eacute; S&oacute;crates (primeiro-ministro em 2011) que faliu o pa&iacute;s, n&atilde;o foi Passos Coelho que imp&ocirc;s a austeridade, n&atilde;o foi Ant&oacute;nio Costa que recuperou a economia. Em todos estes momentos Portugal seguiu, &agrave;s vezes apenas com um pouco de atraso, as tend&ecirc;ncias europeias.
    </p><p class="article-text">
        A diferen&ccedil;a foi como cada um lidou com o contexto externo. Assim como a direita acrescentou doses de austeridade ao que j&aacute; vinha de fora, o governo da &ldquo;<em>geringon&ccedil;a</em>&rdquo; aproveitou o momento de recupera&ccedil;&atilde;o de forma muit&iacute;ssimo diferente do que teria aproveitado Pedro Passos Coelho. As reposi&ccedil;&otilde;es de rendimentos e direitos sociais e laborais foram muit&iacute;ssimo mas r&aacute;pidas e profundas. E n&atilde;o foram acompanhadas pela liberaliza&ccedil;&atilde;o das leis laborais ou privatiza&ccedil;&otilde;es, como aconselham sempre as institui&ccedil;&otilde;es europeias e o FMI. Pelo contr&aacute;rio, as altera&ccedil;&otilde;es &agrave;s leis laborais, mesmo que muito t&iacute;midas, foram num sentido positivo para os trabalhadores. E at&eacute; foi anulada a concess&atilde;o a privados dos transportes p&uacute;blicos de Lisboa e Porto e parcialmente revertida a privatiza&ccedil;&atilde;o da TAP (transportadora a&eacute;rea).
    </p><p class="article-text">
        A lista de conquistas nestes quatro anos &eacute; especialmente impressionante quando se compara com o que se passa na Europa. Alguns exemplos: aumento geral das reformas; aumento do abono de fam&iacute;lia; elimina&ccedil;&atilde;o dos cortes no subs&iacute;dio de desemprego; manuais escolares gratuitos; redu&ccedil;&atilde;o das propinas nas universidades; 35 horas semanais na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e devolu&ccedil;&atilde;o de muitos cortes que tinham sido feitos a trabalhadores do p&uacute;blico e do privado; novos escal&otilde;es fiscais e fim de sobretaxas; aumento de impostos sobre patrim&oacute;nio imobili&aacute;rio de valor mais elevado; dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o dos passes sociais para os transportes p&uacute;blicos (medida com enorme impacto social); e aumento faseado, em 20%, do sal&aacute;rio m&iacute;nimo nacional.
    </p><p class="article-text">
        Este conjunto de medidas dependeu de uma situa&ccedil;&atilde;o externa muito favor&aacute;vel mas, ao mesmo tempo, acelerou a recupera&ccedil;&atilde;o, porque aumentou os rendimentos dispon&iacute;veis, o consumo interno, a confian&ccedil;a econ&oacute;mica, o emprego, e as receitas fiscais, permitindo casar recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, devolu&ccedil;&atilde;o de direitos sociais e equil&iacute;brio das contas p&uacute;blicas a n&iacute;veis nunca vistos desde a entra no euro. O PIB cresceu a um ritmo que n&atilde;o era visto desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo; o desemprego caiu de 14%, em 2014, para 6,5%, em 2019; o investimento est&aacute; pr&oacute;ximo dos anos anteriores &agrave; crise e o d&eacute;fice do or&ccedil;amental continua a encaminhar-se para o nulo, o que corresponde a grandes super&aacute;vits prim&aacute;rios.
    </p><p class="article-text">
        Mais uma vez, &eacute; preciso ter cuidado com alguns equ&iacute;vocos. Infelizmente, estes quatro anos n&atilde;o chegaram para provar que as pol&iacute;ticas expansionistas num pa&iacute;s perif&eacute;rico da UE permitem casar recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica com cumprimento das metas europeias. Num per&iacute;odo de crise, seria altamente improv&aacute;vel que todas estas medidas pudessem ser tomadas com super&aacute;vits prim&aacute;rios nunca vistos em Portugal. Foi a recupera&ccedil;&atilde;o externa que o permitiu. Como as contas correram bem e as institui&ccedil;&otilde;es europeias acreditaram que nada de estrutural dos seus dogmas ideol&oacute;gicos seria posto em causa por um governo apoiado por comunistas e radicais, o rating da d&iacute;vida subiu, as taxas de juro desceram e o governo poupou mais de mil de milh&atilde;o de euros em servi&ccedil;o da d&iacute;vida. N&atilde;o &eacute; coisa pouca.
    </p><p class="article-text">
        Como a situa&ccedil;&atilde;o era boa, houve menos resist&ecirc;ncia dos agentes econ&oacute;micos e da Europa a aumentos dos sal&aacute;rios m&iacute;nimos (mesmo assim houve alguma), a comiss&atilde;o europeia n&atilde;o chumbou or&ccedil;amentos (chegou a amea&ccedil;ar) e o clima pol&iacute;tico e social foi, nos primeiros dois anos, invulgarmente favor&aacute;vel para um governo de esquerda. Tudo isto tornou as rela&ccedil;&otilde;es entre os tr&ecirc;s partidos muito mais f&aacute;ceis e a capacidade da direita fazer oposi&ccedil;&atilde;o muito mais dif&iacute;cil.
    </p><p class="article-text">
        Ao fim dos dois primeiros anos de governo, o conte&uacute;do dos acordos, que correspondiam &agrave; reposi&ccedil;&atilde;o de rendimentos e de direitos, esgotou-se. A navegar &agrave; vista, come&ccedil;aram os atritos. No fim de mandato, os atritos transformaram-se em confronto. O recuo do PS na negocia&ccedil;&atilde;o de uma nova Lei de Bases de Sa&uacute;de que retiraria poder aos grupos privados levou a um forte desentendimento com o BE e a acusa&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas de deslealdade. E perante a aprova&ccedil;&atilde;o, com o voto da direita, PCP e BE, da contagem integral do tempo de carreira que fora congelado aos professores durante a crise, o primeiro-ministro amea&ccedil;ou demitir-se. Muitos observadores consideraram esta simula&ccedil;&atilde;o de crise for&ccedil;ada, para fins eleitorais. O PS estava a cair nas sondagens por causa de um esc&acirc;ndalo envolvendo a nomea&ccedil;&atilde;o de dezenas de familiares de ministros para gabinetes do governo e para a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. Esta dramatiza&ccedil;&atilde;o contra uma lei que exibia &ldquo;irresponsabilidade or&ccedil;amental&rdquo; permitia recuperar votos &agrave; direita.
    </p><p class="article-text">
        Com esta crise, o PS recuperou um pouco. At&eacute; porque uma boa parte do crescimento do PS tem sido feito &agrave;s custas da direita, gra&ccedil;as ao equil&iacute;brio das contas p&uacute;blicas imposto com m&atilde;o de ferro por M&aacute;rio Centeno, o &ldquo;Ronaldo das Finan&ccedil;as&rdquo;. Equil&iacute;brio que, mesmo num bom momento econ&oacute;mico, tem sido conseguido &agrave;s custas dos mais baixos investimentos p&uacute;blicos das &uacute;ltimas d&eacute;cadas e duma degrada&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, sobretudo na Sa&uacute;de e nos transportes coletivos. Este &eacute; o reverso da medalha do milagre portugu&ecirc;s: a reposi&ccedil;&atilde;o de rendimentos e direitos e a diminui&ccedil;&atilde;o de custos para os utilizadores dos servi&ccedil;os fundamentais n&atilde;o t&ecirc;m sido acompanhadas por um investimento na qualidade do Servi&ccedil;o Nacional da Sa&uacute;de e dos transportes.
    </p><h3 class="article-text">Adeus &agrave; 'geringon&ccedil;a'?</h3><p class="article-text">
        <em>geringon&ccedil;a</em>Com a aproxima&ccedil;&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es europeias, tem ficado claro que a estrat&eacute;gia de longo prazo de Ant&oacute;nio Costa j&aacute; n&atilde;o passa pela &ldquo;<em>geringon&ccedil;a</em>&rdquo;. Ant&oacute;nio Costa tem-se afastado de Pedro Nuno Santos, o principal pe&atilde;o de todas as negocia&ccedil;&otilde;es com esquerda e promovido recentemente a ministro do Equipamento. O jovem rosto da ala mais &agrave; esquerda do PS &eacute; um defensor, em Portugal e na Europa, do refor&ccedil;o de um bloco &agrave; esquerda que rivalize com as correntes neoliberais. Pelo contr&aacute;rio, o primeiro-ministro est&aacute; cada vez mais sintonizado com Augusto Santos Silva, ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros. O confesso seguidor da terceira via e de Macron tem defendido que a alian&ccedil;a indispens&aacute;vel ter&aacute; de ser entre europe&iacute;stas para combater esquerda euroc&eacute;tica e extrema-direita. Este rumo, com o refor&ccedil;o da alian&ccedil;a com os liberais, incluindo Macron e os Ciudadanos, &eacute; evidente na estrat&eacute;gia que o PS definiu para a Europa. H&aacute; quem diga que Costa sonha com uma carreira em Bruxelas. No estado em que se encontra a esquerda na Europa, exigem-se novos aliados.
    </p><p class="article-text">
        Tudo indica de que Ant&oacute;nio Costa quer, neste momento, desfazer-se da &ldquo;<em>geringon&ccedil;a</em>&rdquo;. Para o fazer, tinha tr&ecirc;s possibilidades. Uma maioria absoluta, uma alian&ccedil;a apenas com o PCP e um governo de minoria, com acordos pontuais &agrave; esquerda e &agrave; direita. Os resultados das &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es europeias tornaram todas estas possibilidades improv&aacute;veis. O PS ficou-se pelos 33,5% e apesar de haver algumas sondagens otimistas, nada indica que isso seja poss&iacute;vel. O PCP teve o seu pior resultado de sempre numas elei&ccedil;&otilde;es que, por terem menos absten&ccedil;&atilde;o, costumam favorecer bastante um partido que tem um eleitorado mais fiel. E os dois partidos de direita foram devastados. Rui Rio, l&iacute;der do Partido Social Democrata (centro-direita) aberto a entendimentos ao centro, dever&aacute; ser afastado depois das elei&ccedil;&otilde;es legislativas de outubro. Quem vier dever&aacute; endurecer a oposi&ccedil;&atilde;o.
    </p><p class="article-text">
        A queda do PCP e a subida do BE, nestas europeias, s&atilde;o dados importantes para um balan&ccedil;o rigoroso. O PCP parece estar a sofrer do abra&ccedil;o do urso. O seu eleitorado, com muitos reformados e funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, parece estar a sofrer o abra&ccedil;o do urso. Desde que come&ccedil;ou esta solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, perdeu tr&ecirc;s elei&ccedil;&otilde;es consecutivas: presidenciais, aut&aacute;rquicas e europeias. E nada indica que seja por os seus eleitores n&atilde;o gostarem do governo que ele apoia. Talvez gostem demais. O fim do cord&atilde;o sanit&aacute;rio com os socialistas est&aacute; a custar-lhe votos. O BE, mais jovem, com mais peso entre trabalhadores do privado e com mais maleabilidade t&aacute;cita, tem conseguido manter a sua for&ccedil;a eleitoral ou at&eacute; ampli&aacute;-la, dependendo dos candidatos. &Eacute; um partido que partilha muitos eleitores com o PS e a porosidade entre os dois pode sempre benefici&aacute;-lo. Isso, e uma evidente dificuldade de di&aacute;logo, levam Ant&oacute;nio Costa querer ver-se livre do BE. O sonho de governar s&oacute; com os comunistas caiu por terra nas europeias. Nunca o PCP aceitaria manter uma aventura a dois com um Bloco de Esquerda em crescimento &agrave; solta.
    </p><p class="article-text">
        Mas nas europeias abriu-se uma porta. O PAN (Pessoas, Animais, Natureza) um partido muito particular que entrou no parlamento h&aacute; quatro anos, que n&atilde;o &eacute; nem de esquerda nem de direita, &eacute; quase exclusivamente composto por vegans, tem nos animais o centro da sua a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica mas nos &uacute;ltimos meses conseguiu passar a ideia de que &eacute; ecologista, saltou para os 5% nestas europeias. Parece n&atilde;o ser um epifen&oacute;meno e os olhos de Ant&oacute;nio Costa brilham. Esta seria uma alian&ccedil;a sem custos. Sendo um partido de nicho e pequenas causas, bastaria dar-lhe algumas bandeiras simb&oacute;licas e estria garantido o seu apoio em tudo o que seja importante, da economia &agrave;s leis laborais.
    </p><h3 class="article-text">A aritm&eacute;tica dos votos</h3><p class="article-text">
        Seja como for, o futuro da &ldquo;<em>geringon&ccedil;a</em>&rdquo; depender&aacute; da aritm&eacute;tica dos votos. Essa &eacute; a grande li&ccedil;&atilde;o destes quatro anos: as alian&ccedil;as que podem mudar o rumo de um pa&iacute;s &ndash; ou pelo menos travar por uns tempos a caminhada para as pol&iacute;ticas neoliberais que dominam grande parte da Europa &ndash; dependem mais da correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as do que da boa-vontade dos pol&iacute;ticos. E mesmo depois dos eleitores da esquerda criarem, consciente ou inconscientemente, as condi&ccedil;&otilde;es para que os entendimentos sejam inevit&aacute;veis, os partidos n&atilde;o mudam de um dia para o outro. O PS continua a querer fazer as mesmas escolhas que levaram os seus cong&eacute;neres europeus, na Alemanha ou em Fran&ccedil;a, a uma crescente irrelev&acirc;ncia. O PCP, sendo um dos poucos partidos comunistas ortodoxos que sobreviveu na Europa, continua a viver nos seus anacronismos. O BE, como partido nascido depois da crise dos partido de massas, continua a ser inconsistente. E os limites impostos por uma Europa onde os equil&iacute;brios pol&iacute;ticos s&atilde;o muito diferentes da que vivemos em Portugal e Espanha, continuam a ser o mesmos. Assim como ser&aacute; com a mesma moeda, t&atilde;o desajustada &agrave; realidade dos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos como em 2009, que teremos de enfrentar uma nova crise, quando ela inevitavelmente vier. A d&iacute;vida continua insustent&aacute;vel, os limites do tratado or&ccedil;amental continuam absurdos, a economia portuguesa continua de uma fragilidade assustadora.
    </p><p class="article-text">
        Em Portugal, n&atilde;o aconteceu um milagre. Aconteceu uma vit&oacute;ria circunstancial e limitada dos que querem uma governa&ccedil;&atilde;o mais &agrave; esquerda. Que dependeu da press&atilde;o dos eleitores e s&oacute; dela pode voltar a depender. E que, se afastarmos todos os mitos e olharmos com frieza, foi o melhor que a esquerda podia ter feito ter acontecido dentro do que lhe &eacute; poss&iacute;vel. &Eacute; isso que se exige: n&atilde;o perder oportunidades.
    </p>]]></description>
      <dc:creator><![CDATA[Daniel Oliveira]]></dc:creator>
      <guid isPermaLink="true"><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/nao-houve-milagre-vitoria-possivel_1_1180985.html]]></guid>
      <pubDate><![CDATA[Thu, 26 Dec 2019 21:02:32 +0000]]></pubDate>
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      <media:title><![CDATA[Não houve um milagre, houve a vitória possível]]></media:title>
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      <media:keywords><![CDATA[António Costa,Portugal,Revista Portugal]]></media:keywords>
    </item>
    <item>
      <title><![CDATA[No hubo un milagro, hubo la victoria posible]]></title>
      <link><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/milagro-victoria-posible_1_1181188.html]]></link>
      <description><![CDATA[<p><img src="https://static.eldiario.es/clip/6402541a-be1f-4ee4-ba97-60ef72fae9f3_16-9-aspect-ratio_default_0.jpg" width="880" height="495" alt="Diputados de la &#039;Jerigonza&#039; (socialistas, Bloco, comunistas) aplauden a Antonio Costa en el Parlamento portugués"></p><div class="subtitles"><p class="subtitle">La lista de conquistas de los cuatro años de gobierno de izquierdas es notable: aumento de las pensiones, textos escolares gratuitos, reducción de las tasas universitarias, reversión de recortes y jornada de 35 horas en la administración</p></div><div class="list">
                    <ul>
                                    <li>Este art&iacute;culo pertenece a la revista Portugal: la magia de lo improbable, de eldiario.es y est&aacute; escrito antes de las &uacute;ltimas elecciones en las que el PS&nbsp;obtuvo la&nbsp;victoria. <a href="https://www.eldiario.es/internacional/Nao-houve-milagre-vitoria-possivel_0_975702857.html" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Lee aqu&iacute; la versi&oacute;n en portugu&eacute;s</a>.&nbsp;<a href="https://usuarios.eldiario.es/?_ga=2.160410366.2142663424.1576481990-552936294.1573326272#!/hazte_socio" target="_blank" data-mrf-recirculation="links-noticia">Hazte socia ya y recibe nuestras revistas trimestrales en casa</a></li>
                            </ul>
            </div><p class="article-text">
        Cuando el columnista conservador Vaco Piludo Valente us&oacute; por primera vez la expresi&oacute;n <em>jerigonza</em>, el actual primer ministro portugu&eacute;s, Ant&oacute;nio Costa, todav&iacute;a estaba concurriendo a la primarias del Partido Socialista (PS) para derribar al anodino Ant&oacute;nio Jos&eacute; Seguro. Meses m&aacute;s tarde, Paulo Portas, todav&iacute;a l&iacute;der del CDS (derecha), recuper&oacute; la palabra para describir al nuevo gobierno de izquierda. Un gobierno que ten&iacute;a, de hecho, una composici&oacute;n extra&ntilde;a. Era del PS, que hab&iacute;a quedado en segundo lugar en las elecciones, pero apoyado por el Bloco de Esquerda (BE, aliado de Podemos) y por el Partido Comunista Portugu&eacute;s (PCP). Era la primera vez, en la democracia portuguesa, que un partido que no hab&iacute;a vencido las elecciones lideraba un gobierno. Pero tambi&eacute;n era la primera vez que la izquierda ten&iacute;a una mayor&iacute;a sin que el PS hubiese quedado primero. La palabra <em>jerigonza</em> ha terminado por ser adoptada por la izquierda. No es un gobierno de coalici&oacute;n (PCP y BE no han entrado en el Gobierno) y no se pod&iacute;a hablar de acuerdo parlamentario (las malas relaciones entre el PCP y el BE no han permitido un acuerdo conjunto y cada partido ha firmado el suyo por separado con los socialistas. <em>Jerigonza</em> significaba lo que ser&iacute;a imposible de explicar.
    </p><p class="article-text">
        Desde la revoluci&oacute;n de 1974, la izquierda nunca se hab&iacute;a entendido para gobernar. Hubo otro apoyo conjunto a candidatos a las elecciones para presidente de la Rep&uacute;blica, alguna coalici&oacute;n en municipios. Muy poco, en definitiva. La gran divisi&oacute;n, con el nacimiento de la democracia portuguesa, se produjo entre socialistas y comunistas. Esa ruptura, m&aacute;s que la divisi&oacute;n entre la izquierda y la derecha, es la fundadora del r&eacute;gimen. Superarla era de una dificultad enorme. Solo condiciones extraordinarias podr&iacute;an haber conducido a este paso hist&oacute;rico que, hasta que las negociaciones terminaron, era considerado improbable por los medios de comunicaci&oacute;n.
    </p><p class="article-text">
        Sin embargo, este entendimiento estaba escrito entre l&iacute;neas en la campa&ntilde;a electoral. PS, PCP y BE sintieron, en las calles, la presi&oacute;n de los votantes para que se entendiesen. Ni un solo d&iacute;a m&aacute;s con Passos Coelho, primer ministro de derecha que prometi&oacute; ir m&aacute;s all&aacute; de la <em>troika</em>, dec&iacute;an los votantes de izquierda a sus candidatos. Todos sintieron que no se les perdonar&iacute;a si las tradicionales disputas entre los partidos de izquierda impidiesen una soluci&oacute;n pol&iacute;tica alternativa. En un debate entre Catarina Martins, l&iacute;der del Bloco de Esquerda, y Ant&oacute;nio Costa, l&iacute;der del Partido Socialista, la primera puso cuatro condiciones para participar en un gobierno. Casi todas asequibles. En el congreso del Partido Socialista, antes de la campa&ntilde;a, fue el propio Ant&oacute;nio Costa quien defendi&oacute; que la alternancia en el gobierno no pod&iacute;a continuar vetada a los partidos a su izquierda.
    </p><p class="article-text">
        Pero hasta la noche electoral no se empez&oacute; a constatar que, esta vez, la cosa podr&iacute;a ir en serio. La coalici&oacute;n de derecha hab&iacute;a ganado, con un 38,5%. Eso suced&iacute;a porque hab&iacute;an concurrido en coalici&oacute;n, mientras que la izquierda, que en conjunto hab&iacute;a obtenido el 51% de los votos y 122 de los 230 diputados, se hab&iacute;a presentado por separado. Esa noche, los medios de comunicaci&oacute;n y los l&iacute;deres de la derecha, siguiendo la tradici&oacute;n, dieron como segura la continuidad de Pedro Passos Coelho como primer ministro. Pero, ante el resultado, Jer&oacute;nimo de Sousa, l&iacute;der de los comunistas, pronunci&oacute; la frase que marc&oacute; el futuro: &ldquo;El PS no forma gobierno porque no quiere&rdquo;. Comenzaba a nacer la <em>jerigonza</em>.
    </p><p class="article-text">
        Solo una alineaci&oacute;n &uacute;nica de los astros permitir&iacute;a esa soluci&oacute;n: un pueblo machacado por la austeridad e intransigente ante la posibilidad de m&aacute;s desencuentros entre la izquierda, un PS con la posibilidad de gobernar pero debilitado por no haber quedado el primero, un l&iacute;der socialista que necesitaba llegar inmediatamente al poder, la direcci&oacute;n del PCP presionada por sindicalistas y alcaldes para que no permitiese que la ofensiva medi&aacute;tica y de austeridad continuase y el hecho de que este entendimiento solo era aritm&eacute;ticamente posible si el PCP y el BE entrasen a la vez en la soluci&oacute;n. Si lo hiciese antes uno de ellos, podr&iacute;a haberse dado un <em>impasse</em>.
    </p><h3 class="article-text">Aprovechar la oportunidad</h3><p class="article-text">
        &iquest;C&oacute;mo se explica que la derecha haya conseguido, tras las brutales dosis de austeridad que suministr&oacute; al pa&iacute;s, alcanzar el 38% de los votos? Fue posible porque la recuperaci&oacute;n econ&oacute;mica comenz&oacute; en 2014, siendo todav&iacute;a primer ministro Passos Coelho. Y comenz&oacute; como efecto de la recuperaci&oacute;n europea y del crecimiento del turismo. Este es el primer mito que es necesario deshacer para comprender la situaci&oacute;n portuguesa: que fue a izquierda la que recuper&oacute;, por s&iacute; sola, la econom&iacute;a. Decirlo es repetir un error que destruy&oacute; al PS cuando la crisis explot&oacute;: fue responsabilizado, sin tener en cuenta la situaci&oacute;n externa, de la bancarrota nacional. No fue Jos&eacute; S&oacute;crates (primer ministro en 2011) quien hizo quebrar el pa&iacute;s, no fue Passos Coelho quien impuso la austeridad, no fue Ant&oacute;nio Costa quien recuper&oacute; la econom&iacute;a. En todos esos momentos Portugal segu&iacute;a, a veces solo con un poco de retraso, las tendencias europeas.
    </p><p class="article-text">
        La diferencia residi&oacute; en c&oacute;mo cada uno de ellos se enfrent&oacute; con el contexto externo. As&iacute; como la derecha a&ntilde;adi&oacute; dosis de austeridad a lo que ya ven&iacute;a de fuera, el gobierno de la <em>jerigonza</em> aprovech&oacute; el momento de recuperaci&oacute;n de forma muy diferente de lo que habr&iacute;a hecho Pedro Passos Coelho. Las restituciones de salarios y derechos sociales y laborales fueron mucho m&aacute;s r&aacute;pidas y profundas. Y no fueron acompa&ntilde;adas por la liberalizaci&oacute;n de las leyes laborales o privatizaciones, como aconsejan siempre las instituciones europeas y el FMI. Al contrario, los cambios en las leyes laborales, aunque muy t&iacute;midos, fueron para favorecer a los trabajadores. E incluso se anul&oacute; la concesi&oacute;n a empresas privadas de los transportes p&uacute;blicos de Lisboa y Oporto y se revirti&oacute; parcialmente la privatizaci&oacute;n de la aerol&iacute;nea TAP.
    </p><p class="article-text">
        La lista de conquistas en estos cuatro a&ntilde;os es especialmente impresionante cuando se compara con lo que sucede en Europa. Algunos ejemplos: aumento general de las pensiones; aumento del abono de familia; eliminaci&oacute;n de los recortes en el subsidio de desempleo; textos escolares gratuitos; reducci&oacute;n de las tasas universitarias; 35 horas semanales en la Administraci&oacute;n p&uacute;blica y devoluci&oacute;n de muchos recortes que hab&iacute;an sido realizados a trabajadores del sector p&uacute;blico y privado; nuevos tipos fiscales y fin de recargos; aumento de impuestos sobre patrimonio inmobiliario de mayor valor; dr&aacute;stica reducci&oacute;n del precio de los abonos sociales para los transportes p&uacute;blicos (medida con enorme impacto social), y aumento del 20%, por fases, del salario m&iacute;nimo nacional.
    </p><p class="article-text">
        Este conjunto de medidas ha sido posible gracias a una situaci&oacute;n externa muy favorable pero, al mismo tiempo, aceler&oacute; la recuperaci&oacute;n, ya que aument&oacute; las rentas disponibles, el consumo interno, la confianza econ&oacute;mica, el empleo y los ingresos fiscales. Por ello, permiti&oacute; combinar recuperaci&oacute;n econ&oacute;mica, devoluci&oacute;n de derechos sociales y equilibrio de las rentas p&uacute;blicas a niveles nunca vistos desde la entrada del euro. El PIB creci&oacute; a un ritmo desconocido desde comienzos de siglo, el desempleo cay&oacute; del 14%, en 2014, al 6,5%, en 2019; la inversi&oacute;n est&aacute; cerca de la de los a&ntilde;os anteriores a la crisis y el d&eacute;ficit presupuestario contin&uacute;a su camino hacia llegar a ser nulo, lo que se debe a los grandes super&aacute;vits primarios.
    </p><p class="article-text">
        Una vez m&aacute;s, es necesario tener cuidado con algunos equ&iacute;vocos. Desgraciadamente, estos cuatro a&ntilde;os no han sido suficientes para demostrar que las pol&iacute;ticas expansionistas en un pa&iacute;s perif&eacute;rico de la UE permiten casar recuperaci&oacute;n econ&oacute;mica con el complimiento de las metas europeas. En un periodo de crisis, ser&iacute;a altamente improbable que todas estas medidas pudiesen tomarse con super&aacute;vits primarios nunca vistos en Portugal. Fue la recuperaci&oacute;n externa lo que lo permiti&oacute;. Como las cuentas se comportaron bien y las instituciones europeas confiaron en que ning&uacute;n elemento estructural de sus dogmas ideol&oacute;gicos ser&iacute;a puesto en cuesti&oacute;n por un gobierno apoyado por comunistas y radicales, el rating de la deuda subi&oacute;, los niveles de inter&eacute;s descendieron y el Gobierno se ahorr&oacute; m&aacute;s de mil millones de euros en pagos de deuda. No es poca cosa.
    </p><p class="article-text">
        Como la situaci&oacute;n era buena, hubo menos resistencias por parte de los agentes econ&oacute;micos y de Europa a los aumentos de los salarios m&iacute;nimos (aun as&iacute;, hubo algunas), la Comisi&oacute;n Europea no rechaz&oacute; los presupuestos (lleg&oacute; a amenazar con ello) y el clima pol&iacute;tico y social fue, en los primeros dos a&ntilde;os, inusualmente favorable para un gobierno de izquierdas. Todo esto hizo que las relaciones entre los tres partidos fuesen mucho m&aacute;s f&aacute;ciles y la capacidad de la derecha de hacer oposici&oacute;n, mucho m&aacute;s dif&iacute;cil.
    </p><p class="article-text">
        Cuando se cumplieron los dos primeros a&ntilde;os de gobierno, el contenido de los acuerdos, que inclu&iacute;a la restituci&oacute;n de los salarios y los derechos, se agot&oacute;. Y navegando a ciegas, comenzaron las fricciones. Cuando el mandato llega a su fin, las fricciones se han convertido en enfrentamiento. La retirada del PS de la negociaci&oacute;n de una nueva Ley de Bases de Salud que restar&iacute;a poder a los grupos privados llev&oacute; a un fuerte desencuentro con el BE y a acusaciones mutuas de deslealtad. Y, ante la aprobaci&oacute;n, con el voto de la derecha, PCP y BE, de la contabilizaci&oacute;n completa del tiempo de servicio de los profesores, que fue congelado durante la crisis, el primer ministro amenaz&oacute; con su dimisi&oacute;n. Muchos observadores han considerado que esta simulaci&oacute;n de crisis forzada ten&iacute;a fines electorales. El PS estaba cayendo en las encuestas debido a un esc&aacute;ndalo relacionado con el nombramiento de decenas de familiares de ministros para cargos gubernamentales y en la Administraci&oacute;n P&uacute;blica. Esta dramatizaci&oacute;n contra una ley que mostraba &ldquo;irresponsabilidad presupuestaria&rdquo; permit&iacute;a recuperar votos hacia la derecha.
    </p><p class="article-text">
        Con esta crisis, el PS se ha recuperado un poco. Una buena parte del crecimiento del PS se ha producido a costa de la derecha, gracias al equilibrio de las cuentas p&uacute;blicas impuesto con mano de hierro por M&aacute;rio Centeno, el<em> Cristiano Ronaldo de las Finanzas</em>. Un equilibrio que, incluso en un buen momento econ&oacute;mico, se ha conseguido a costa de la inversi&oacute;n p&uacute;blica m&aacute;s baja de las &uacute;ltimas d&eacute;cadas y de una degradaci&oacute;n de los servicios p&uacute;blicos, sobre todo en Sanidad y en el transporte p&uacute;blico. Ese es el reverso de la moneda del milagro portugu&eacute;s: la restituci&oacute;n de los servicios fundamentales no se ha visto acompa&ntilde;ada por una inversi&oacute;n en la calidad del Servicio Nacional de Salud y de los transportes.
    </p><h3 class="article-text">&iquest;Adi&oacute;s a la 'Jeringonza'?</h3><p class="article-text">
        Con la aproximaci&oacute;n de las elecciones europeas ha quedado claro que la estrategia a largo plazo de Ant&oacute;nio Costa ya no pasa por la <em>jerigonza</em>. Ant&oacute;nio Costa se ha alejado de Pedro Nuno Santos, el principal activo de todas las negociaciones con la izquierda y ascendido recientemente a ministro de Fomento. El joven rostro del ala m&aacute;s a la izquierda del PS es un defensor, en Portugal y en Europa, del refuerzo de un bloque a la izquierda que rivalice con las corrientes neoliberales. Sin embargo, el primer ministro sintoniza cada vez m&aacute;s con Augusto Santos Silva, ministro de Asuntos Exteriores. El confeso seguidor de la tercera v&iacute;a y de Macron ha defendido que la alianza imprescindible deber&aacute; ser entre europe&iacute;stas, para luchar contra la izquierda euroesc&eacute;ptica y la extrema derecha. Este rumbo, con el refuerzo de la alianza con los liberales, incluyendo a Macron y a Ciudadanos, es evidente en la estrategia que el PS ha definido para Europa. Hay quien dice que Costa sue&ntilde;a con una carrera en Bruselas. En el estado en el que se encuentra la izquierda en Europa, se exigen nuevos aliados.
    </p><p class="article-text">
        Todo indica que, en este momento, Ant&oacute;nio Costa quiere deshacerse de la <em>jerigonza</em>. Para ello, ten&iacute;a tres posibilidades. Una mayor&iacute;a absoluta, una alianza solo con el PCP y un gobierno en minor&iacute;a, con acuerdos puntuales a izquierda y derecha. Los resultados de las &uacute;ltimas elecciones europeas han hecho que todas estas posibilidades sean improbables. El PS alcanz&oacute; el 33,5% de los votos y, a pesar de hay algunas encuestas optimistas, nada indica que sea posible repetirlos. El PCP obtuvo el peor resultado de su historia en unas elecciones que, por presentar menos abstenci&oacute;n, suelen favorecer bastante a un partido que tiene un electorado m&aacute;s fiel. Y los dos partidos de derecha fueron arrasados. Rui Rio, l&iacute;der del Partido Social Dem&oacute;crata (centro-derecha), abierto a acuerdos hacia el centro, deber&aacute; retirarse despu&eacute;s de las elecciones legislativas de octubre. Y quien venga deber&aacute; endurecer la oposici&oacute;n.
    </p><p class="article-text">
        La ca&iacute;da del PCP y la subida del BE, en estas europeas, son datos importantes para un an&aacute;lisis riguroso. El PCP parece estar sufriendo el abrazo del oso. Su electorado, con muchos pensionistas y funcionarios p&uacute;blicos, parece estar sufriendo el abrazo del oso. Desde que comenz&oacute; esta soluci&oacute;n pol&iacute;tica, ha perdido tres elecciones consecutivas: presidenciales, municipales y europeas. Y nada indica que se deba a que a sus electores no les guste el gobierno que ellos apoyan. Puede que les guste demasiado. El fin del cord&oacute;n sanitario con los socialistas est&aacute; cost&aacute;ndoles votos. El BE, m&aacute;s joven, con m&aacute;s peso entre trabajadores del sector privado y m&aacute;s maleable, ha conseguido mantener su fuerza electoral o incluso ampliarla, dependiendo de los candidatos. Es un partido que comparte muchos votantes con el PS y la porosidad entre ambos puede beneficiarlo. Eso, y una evidente dificultad de di&aacute;logo, llevan a Ant&oacute;nio Costa a querer verse libre del BE. El sue&ntilde;o de gobernar solo con los comunistas cay&oacute; por tierra en las europeas. El PCP jam&aacute;s aceptar&iacute;a mantener una aventura a dos con un Bloco de Esquerda creciendo sin freno.
    </p><p class="article-text">
        Pero en las europeas se ha abierto una puerta. El PAN (Personas, Animales, Naturaleza), un partido muy particular que entr&oacute; en el Parlamento hace cuatro a&ntilde;os, que no es ni de izquierda ni de derecha, que est&aacute; casi exclusivamente compuesto por veganos, que tiene en los animales el centro de su acci&oacute;n pol&iacute;tica pero en los &uacute;ltimos meses ha conseguido transmitir la idea de que es ecologista, ha alcanzado el 5% de votos en estas europeas. Parece que no es un efecto secundario y los ojos de Ant&oacute;nio Costa brillan. Esta ser&iacute;a una alianza sin costes. Al ser un partido de nicho y peque&ntilde;as causas, ser&iacute;a suficiente con darle algunas victorias simb&oacute;licas y estar&iacute;a garantizado su apoyo en todo lo importante, desde la econom&iacute;a a las leyes laborales.
    </p><h3 class="article-text">La aritm&eacute;tica de los votos</h3><p class="article-text">
        Sea como sea, el futuro de la <em>jerigonza</em> depender&aacute; de la aritm&eacute;tica de los votos. Esa es la gran lecci&oacute;n de estos cuatro a&ntilde;os: las alianzas que pueden cambiar el rumbo de un pa&iacute;s (o, por lo menos, entorpecer temporalmente el rumbo hacia las pol&iacute;ticas neoliberales que dominan gran parte de Europa) dependen m&aacute;s de la correlaci&oacute;n de fuerzas que de la buena voluntad de los pol&iacute;ticos. E incluso despu&eacute;s de que los votantes de izquierda hayan creado, consciente o inconscientemente, las condiciones para que los acuerdos sean inevitables, los partidos no cambian de un d&iacute;a para otro. El PS contin&uacute;a queriendo tomar las mismas decisiones que han llevado a sus pares europeos, en Alemania o en Francia, a una creciente irrelevancia. El PCP, a pesar de ser uno de los pocos partidos comunistas ortodoxos que ha sobrevivido en Europa, contin&uacute;a viviendo en sus anacronismos. El BE, como partido nacido despu&eacute;s de la crisis de los partidos de masas, contin&uacute;a siendo inconsistente. Y los l&iacute;mites impuestos por una Europa donde los equilibrios pol&iacute;ticos son muy diferentes a los que vivimos en Portugal y Espa&ntilde;a, contin&uacute;an siendo los mismos. Asimismo, ser&aacute; con la misma moneda, tan desajustada a la realidad de los pa&iacute;ses perif&eacute;ricos como en 2009, con la que tendremos que enfrentarnos a una nueva crisis, cuando inevitablemente llegue. La deuda contin&uacute;a insostenible, los l&iacute;mites del tratado presupuestario contin&uacute;an siendo absurdos, la econom&iacute;a portuguesa contin&uacute;a con una fragilidad que asusta.
    </p><p class="article-text">
        En Portugal no ha sucedido un milagro. Ha sucedido una victoria circunstancial y limitada de los que quieren un gobierno m&aacute;s virado hacia la izquierda. Una victoria que ha dependido de la presi&oacute;n de los votantes y solo puede volver a depender de ella. Y que, si nos olvidamos de los mitos y la observamos con frialdad, ha sido lo mejor que la izquierda pod&iacute;a haber hecho dentro sus posibilidades. Es eso lo que se le exige: no perder oportunidades.
    </p><p class="article-text">
        Traducci&oacute;n: Eduardo L&oacute;pez-Jamar
    </p>]]></description>
      <dc:creator><![CDATA[Daniel Oliveira]]></dc:creator>
      <guid isPermaLink="true"><![CDATA[https://www.eldiario.es/internacional/milagro-victoria-posible_1_1181188.html]]></guid>
      <pubDate><![CDATA[Thu, 26 Dec 2019 20:00:39 +0000]]></pubDate>
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